Centro-Oeste Export
Crescimento da produção exige integração entre modais
Operadores afirmam que rodovias do Centro-Oeste já operam próximas da saturação e defendem maior uso de ferrovias e hidrovias para sustentar o avanço do agronegócio
As rodovias do Centro-Oeste transportaram mais de 144 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre, em mais de cinco milhões de viagens, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em dados apresentados durante o Centro-Oeste Export 2026. Para operadores logísticos, o volume mostra que o crescimento do agronegócio exigirá maior integração entre caminhões, ferrovias e hidrovias, já que a malha rodoviária opera próxima da saturação.
Entre as soluções está a combinação de estoques próximos às lavouras com o uso da ferrovia nos trajetos mais longos. A Bravo Serviços Logísticos investiu cerca de R$ 100 milhões desde 2022 em sua unidade de Rio Verde, com mais de 44 mil posições-palete, reduzindo a necessidade de transportar insumos de centros distantes. “Ao reduzir o tempo de trânsito dos insumos, minimizamos perdas e garantimos que o produtor goiano tenha melhores condições de produtividade e rentabilidade”, declarou o CEO da empresa, Marcos Vilela.
Na saída da produção, a Brado aposta no transporte ferroviário de cargas conteinerizadas, com mais de dois mil vagões, 4,7 mil contêineres e 33 locomotivas, além de coordenar os trechos rodoviários de coleta e entrega.
O diretor comercial da empresa, Daniel Salcedo, definiu o modelo como uma espécie de “cabotagem terrestre”: os caminhões atuam no início e no fim, enquanto a ferrovia concentra os percursos longos. Mato Grosso responde hoje por 53% do volume da Brado, que pretende replicar em Goiás o modelo de Rondonópolis.
A expansão depende de escala, previsibilidade e fluxos nos dois sentidos.