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Portugal

Empresários buscam aprendizado para tirar proveito do acordo entre Mercosul e UE

Atualizado em: 5 de August de 2026 às 14:54
Vicente Nunes Enviar e-mail para o Autor Público Brasil

A formação para conselhos de empresas se torna estratégica para vislumbrar oportunidades advindas do tratado transatlântico, como fusões e aquisições e linhas de financiamentos de longo prazo

Apenas nos dois primeiros meses de funcionamento do acordo entre o Mercosul e a União Europeia — maio e junho —, as exportações do Brasil para o bloco europeu aumentaram em 2 bilhões de dólares (1,75 mil milhões de euros) na comparação com o mesmo período de 2025, informa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse resultado, segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, dá a dimensão do tamanho do potencial do tratado que demorou mais de duas décadas para ser assinado.

Mas, para poderem explorar esse mercado transatlântico, muitos empresários e executivos brasileiros têm recorrido à formação para entender as questões regulatórias e saber em que direção seguir. Além do comércio, o tratado entre os dois blocos econômicos abre uma avenida de oportunidades para fusões e aquisições (M&A) e mesmo para linhas de financiamento. “Tomar decisões que garantam o sucesso de uma empresa exige conhecimento, e isso passa, sobretudo, por ter bons conselheiros”, diz Magda Portugal, CEO da Portogallo Family Office.

Não por acaso, a gestora de recursos se uniu à Board Academy para promover, em Lisboa, cursos de formação de conselheiros em governança corporativa voltados para Brasil e Europa, com uma visão transatlântica de negócios. A escola já formou 12 mil conselheiros no Brasil ao longo de vinte anos, seja para Conselhos de Administração, seja para Conselhos Fiscais e Consultivos. Com uma visão mais de futuro, os conselheiros funcionam como complemento aos executivos que tomam decisões, muitas vezes de curto prazo, visando apenas o lucro.

“Um CEO sabe o quão solitário é estar no poder para tomar decisões. Por isso, bons conselheiros servem como suporte aos executivos, para que eles não tomem decisões apenas baseadas, muitas vezes, numa visão de lucro de curto prazo, sem estratégias que são determinantes para o futuro do negócio”, afirma Magda. “Os conselheiros não pensam só no curto prazo, têm uma visão de longo prazo, uma visão de quem está de fora, porém ao lado dos executivos”, complementa.

Experiência é vital

Magda reconhece que, para ser um bom conselheiro de uma empresa, é preciso ter vivência em cargos administrativos. “O mais importante para ser um bom conselheiro é ter tido uma atividade empresarial ou uma atividade de executivo numa grande ou numa média empresa, porque, assim, todo o conhecimento acumulado para uma boa governança será transmitido para aqueles que estão em funções executivas, de decisão. É a experiência em favor de executivos e de empresas”, reforça.

Por isso, diz a CEO da Portogallo, os cursos de formações de conselheiros de empresas não são recomendáveis para jovens formandos. “Esses ainda têm que trabalhar muito, ter a experiência do dia-a-dia operacional para entender como um conselho vai ajudar na parte estratégica das empresas”, afirma, ressaltando que, independentemente do tamanho da empresa, um bom Conselho Consultivo pode fazer a diferença na tomada de decisões.

“Essa formação para conselheiros se torna mais relevante para as empresas que querem explorar as fronteiras abertas pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Altos executivos precisam compreender a regulação europeia para a governança. O conhecimento faz toda a diferença”, assinala Magda.

Os cursos já programados em Lisboa vão ocorrer em setembro e em outubro e terão, entre os formadores, Rui Helena, head da BDO, uma das cinco maiores empresas de auditoria do mundo; Paulo Lourosa, diretor de Private Equity e M&A da Crowe Advisory; e Marianela Mirpuri, presidente da Mirpuri Foundation.

Os futuros conselheiros vão aprender, por exemplo, a ler os balanços das empresas com uma visão de alguém de fora, como identificar sócios estratégicos e financiamentos de longo prazo, além de fusões e aquisições na Europa. Também haverá foco na área de ESG — ambiental, social e governança —, mas sem uma visão mercadológica. É preciso lembrar que o tratado entre o Mercosul e a União Europeia é muito rigoroso nessas questões, que, por um bom tempo, emperraram as negociações entre os dois blocos.

Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.

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