Brasil Export
ANTT propõe integração entre ferrovias, portos e mineração
Diretor da Agência, Alex Azevedo, defendeu uma mudança de paradigma na política de investimentos em logística
A integração entre o planejamento ferroviário, a capacidade portuária e a produção mineral foi apontada como um dos principais caminhos para aumentar a competitividade logística brasileira durante a reunião dos Conselhos Nacionais de Infraestrutura de Transportes e de Minas e Energia do Grupo Brasil Export, realizada nesta quarta-feira (5), na Casa Brasil Export, em Brasília.
Ao apresentar o tema Planejamento de obras de infraestrutura no Brasil, Azevedo defendeu uma mudança de paradigma na política de investimentos. Segundo ele, o desafio atual não é apenas ampliar a extensão da malha ferroviária, mas utilizar de forma mais eficiente a infraestrutura já existente.
“Levantamentos mostram que entre 15 mil e 18 mil quilômetros da nossa malha ferroviária operam hoje abaixo do seu potencial. A pergunta não é quanto trilho novo precisamos construir, mas como dar regência ao que já construímos”, afirmou.
O diretor destacou que 2026 reúne oportunidades para fortalecer essa integração, como a renovação e celebração de novos contratos ferroviários, investimentos impulsionados pela mineração e projetos de corredores logísticos. Para ele, o capital gerado pelas renovações das concessões já começa a financiar novas ferrovias, criando condições para um planejamento mais coordenado entre infraestrutura e produção.
Azevedo também defendeu que o cronograma das ferrovias seja elaborado em sintonia com a curva de produção mineral e energética e com a capacidade operacional dos portos. Segundo ele, essa coordenação permitirá maior eficiência nos corredores de exportação e melhor aproveitamento dos investimentos públicos e privados.
O diretor lembrou ainda que essa integração começou a ser discutida em reuniões no Porto do Itaqui, com a participação de operadores ferroviários, autoridades portuárias e representantes da mineração. A experiência, segundo ele, reforçou a necessidade de um ambiente permanente de diálogo entre os diferentes setores.
“Não vim propor mais um projeto. Vim propor um palco permanente onde o cronograma ferroviário, a curva de produção mineral e energética e a capacidade portuária deixem de ser três partituras separadas e passem a ser regidas juntas”, disse.
A proposta também dialoga com experiências internacionais. Azevedo informou que participará de missão técnica ao Chile para conhecer o modelo de governança do Corredor Bioceânico e afirmou que pretende trazer referências para a construção de uma iniciativa semelhante no Brasil, aproximando governo, operadores logísticos e setor produtivo.