Sudeste Export
Portos do Sudeste podem ampliar capacidade diante dos limites de Santos
Fabricio Julião destacou a complementaridade entre os portos, a necessidade de ampliar a multimodalidade e defendeu que o planejamento logístico se transforme em política de Estado
A integração entre os portos e os diferentes modais de transporte deve ser uma das prioridades para o desenvolvimento da infraestrutura logística do Sudeste. A avaliação foi feita pelo CEO do Grupo Brasil Export, Fabricio Julião, durante a abertura do Sudeste Export 2026, realizada nesta quinta-feira (13), em Vitória (ES). O fórum reúne autoridades, empresários e lideranças dos setores de infraestrutura, logística, energia e mineração e segue até sexta-feira (14).
Segundo Julião, a região possui portos com características complementares e oportunidades de expansão, especialmente diante dos limites de capacidade enfrentados pelo Porto de Santos. Ele citou São Sebastião e os portos do Espírito Santo como alternativas que podem contribuir para ampliar a capacidade logística regional.
“Os portos da região são complementares. Temos uma grande oportunidade quando olhamos para o Porto de Santos completamente no seu limite e vemos oportunidades de crescimento para São Sebastião e para os portos do Espírito Santo”, afirmou.
Para o CEO do Grupo Brasil Export, o debate sobre infraestrutura deve considerar o impacto econômico e social dos investimentos. Ele destacou o potencial da cadeia logística para gerar empregos, renda e novos negócios, além de transformar as regiões onde os empreendimentos estão instalados.
Julião também chamou atenção para os gargalos de acesso aos portos. Na avaliação dele, os problemas não são exclusivos de um determinado complexo portuário, mas refletem dificuldades estruturais da infraestrutura brasileira.
Entre os pontos citados estão a necessidade de investimentos e duplicações de rodovias, além de melhorias nos acessos ferroviários e aquaviários. O executivo defendeu ainda a renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a realização de novos investimentos no sistema ferroviário.
Outro ponto destacado durante a abertura foi a necessidade de ampliar a integração entre os modais de transporte. Para Julião, a multimodalidade deixou de ser uma alternativa e passou a ser fundamental para o avanço da logística brasileira. “Se não tivermos multimodalidade, nós não iremos avançar”, afirmou.
Planejamento precisa sair do papel
Durante o discurso, Julião também comentou o lançamento do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, realizado na quarta-feira (12) Ele reconheceu a importância da iniciativa para o planejamento de longo prazo da infraestrutura brasileira, mas defendeu que as diretrizes sejam acompanhadas de medidas concretas. “Precisamos separar o que é planejamento, que é fundamental, da execução. Não adianta só planejar ou anunciar”, afirmou.
Para o executivo, o PNL precisa ultrapassar os limites de um programa de governo e se consolidar como uma política de Estado, com continuidade independentemente das mudanças de gestão. O plano tem como objetivo orientar o planejamento de longo prazo dos transportes brasileiros. “Precisamos ter um programa de Estado. Seja quem assumir, seja qual for a sequência, este é um programa que precisa acontecer”, disse.