Internacional
Brasil busca parceria com a Rússia para explorar minerais críticos
Durante a passagem por Moscou, Lula também abordou questões energéticas e a defesa do multilateralismo, com foco em segurança e economia global
Antes de embarcar para a China, onde participa da cúpula da Celac com o governo chinês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil está interessado em ampliar a pesquisa e a exploração de minerais críticos em seu território e vê na Rússia uma potencial parceira para esse projeto. A declaração foi dada ao fim da visita oficial a Moscou, onde Lula se reuniu com o presidente Vladimir Putin e participou das celebrações pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.
“Achamos que o Brasil não pode jogar fora nenhuma oportunidade”, disse Lula no sábado (10), ao defender a formação de parcerias com países que tenham expertise na área. “Apenas 30% do nosso território já foi pesquisado. Ainda falta muita coisa, e nós queremos construir parcerias com todos os países do mundo que possam nos ajudar.”
Os chamados minerais críticos — como lítio, cobalto, níquel, grafite e elementos das terras raras — são considerados essenciais para setores estratégicos como tecnologia, defesa e transição energética. Segundo Lula, o Ministério de Minas e Energia já vem dialogando com empresas russas para possíveis colaborações.

Durante a visita à Rússia, foi assinado um acordo voltado à cooperação em ciência, tecnologia e inovação, e outro para o fortalecimento da pesquisa científica básica e aplicada. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Rússia também foi destacada pelo presidente como um ator relevante na área de energia, especialmente em petróleo, gás e reatores nucleares de pequeno porte. “São tecnologias importantes para garantir o fornecimento de energia a longo prazo”, disse Lula. “Num país que quer ser uma das maiores economias do mundo, precisamos garantir que nunca vá faltar energia.”
Lula também abordou a balança comercial entre os dois países, que hoje registra forte desequilíbrio em favor da Rússia. Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 12,4 bilhões, com um déficit brasileiro de US$ 9,6 bilhões. O Brasil exporta principalmente soja, café e carne bovina, enquanto importa sobretudo óleo diesel e fertilizantes.
“Queremos um comércio de via dupla, em que os dois lados se beneficiem”, afirmou o presidente, que levou à Rússia ministros ligados à energia e à ciência e tecnologia. A expectativa é que empresários e representantes russos visitem o Brasil nos próximos meses para aprofundar os diálogos.
Durante a visita, foram assinados dois acordos: um voltado à cooperação em ciência, tecnologia e inovação; e outro para o fortalecimento da pesquisa científica básica e aplicada.
Ucrânia
A passagem por Moscou incluiu ainda conversas sobre a guerra na Ucrânia. Lula voltou a defender uma solução negociada para o conflito e reiterou que o Brasil é contrário à ocupação de territórios soberanos. Segundo ele, o país está disposto a contribuir com esforços de mediação, desde que haja interesse das partes envolvidas.
O presidente também aproveitou a ocasião para reforçar a defesa do multilateralismo e do livre comércio, criticando movimentos recentes de rearmamento e protecionismo em diversas regiões do mundo. “Precisamos gastar trilhões com educação, saúde e comida, não com armas”, afirmou. Ele voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU e o ingresso do Brasil como membro permanente, ao lado de países como Índia, Alemanha, Japão e nações africanas.
Após a visita à Rússia, Lula seguiu para Pequim, onde cumpre agenda entre esta segunda (12) e terça-feira (13). Estão previstos pelo menos 16 acordos bilaterais com o governo chinês. Em junho, o presidente fará visita oficial à França e participará da Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice.