Ferrovias
Acesso ferroviário ao Porto de Santos recebe R$ 2 bi em investimentos
Centro de Controle Operacional e conjunto de obras ampliam a capacidade da malha, aumentam a eficiência das operações e preparam o corredor para trens de até 2,4 km
O novo Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI) da MRS Logística no Porto de Santos foi entregue nesta terça-feira (30) com a proposta de tornar mais ágil a operação ferroviária no complexo portuário. A estrutura integra um conjunto de obras voltadas à melhoria dos acessos e à ampliação da capacidade logística do principal porto do país. A cerimônia contou com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro.
Com investimento de R$ 2 bilhões, o pacote faz parte das contrapartidas previstas na renovação antecipada da concessão da Malha Regional Sudeste, operada pela MRS, firmada em julho de 2022 e válida até 2056.
Entre as intervenções estão a implantação de seis novos pátios ferroviários, a modernização de mais de 90 quilômetros de vias, a instalação de 126 aparelhos de mudança de via (AMVs) e a implantação de novos sistemas de sinalização, que ampliam a segurança e a eficiência operacional da malha.
Durante o evento, Santoro destacou a importância da nova estrutura para a produtividade do porto. Segundo ele, a modernização permitirá movimentar maior volume de cargas em menos tempo, contribuindo para a redução dos custos logísticos do país.
O presidente da MRS Logística, Guilherme Segalla de Melo, afirmou que os investimentos fazem parte de uma estratégia de longo prazo para mais que dobrar a capacidade de transporte ferroviário em Santos nos próximos 10 a 15 anos.
Ele ressaltou ainda os impactos urbanos das intervenções. Segundo o executivo, as obras devem reduzir conflitos entre trens de carga e áreas urbanas, além de tornar mais eficiente o despacho ferroviário, diminuindo o tempo de parada em regiões densamente ocupadas e integrando melhor as operações ao fluxo de navios.
Atualmente, o transporte de cargas com destino ao Porto de Santos é majoritariamente rodoviário, responsável por mais de 70% do total, enquanto o modal ferroviário responde por cerca de 20%. O ministro afirmou que os investimentos em infraestrutura ferroviária são necessários para ampliar a participação do modal e atender à crescente demanda do porto.
Segundo Santoro, a ampliação da capacidade ferroviária tende a aumentar a competitividade do modal em relação ao transporte rodoviário, reduzindo a circulação de caminhões em cidades como Santos e Cubatão. A expectativa é que, ao longo da próxima década, haja maior agilidade no transbordo de cargas e aumento da participação das ferrovias na logística do porto.
CCOI
O Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI) é resultado de uma parceria entre MRS, VLI e Rumo, empresas que operam em conjunto com a Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips). A atuação compartilhada no mesmo espaço permitirá maior coordenação das operações, com ganhos de eficiência no fluxo de trens que chegam ao complexo portuário.
De acordo com o anunciado, o centro contará com uma equipe de 45 profissionais: 20 da MRS, 15 da Fips, sete da Rumo e três da VLI.
“A decisão passa a ser tomada aqui e alimentando os respectivos centros operacionais das três ferrovias. Junto com a Fips, temos essa inteligência rápida, de saber qual priorização de entrega das cargas, do recuo dos trens para o retorno. Aqui, a tecnologia foi uma discussão padronizada com fabricante único para termos a certeza que estivéssemos na mesma plataforma. Então houve um longo tempo de trabalho dos times de TI das três empresas para escolher uma plataforma onde todos conversassem, reduzindo interfaces e melhorando o tempo de resposta. Acho que vamos ter uma capacidade de entrega muito maior e com capacidade de tempo de resposta, também”, explicou o presidente da MRS.