Aeroportos
Aeroportos japoneses ampliam atendimento remoto com robôs
Tecnologia conecta passageiros a equipes localizadas em uma central única e já opera em terminais regionais após testes com mais de 25 mil interações
A companhia aérea All Nippon Airways (ANA), em parceria com a empresa de tecnologia Avatarin, deu início a uma operação de suporte e atendimento remoto a passageiros utilizando robôs telepresenciais em aeroportos regionais do Japão. Coordenada a partir de uma central fixa no Aeroporto Internacional de Kansai (KIX), a estrutura permite que equipes de solo prestem assistência interativa e em tempo real a viajantes situados a centenas de quilômetros de distância.
Nesta fase inicial de implantação comercial, os robôs foram posicionados nos terminais de Hiroshima, Tsushima, Nagasaki e Komatsu. A tecnologia foi desenhada para suprir a escassez de mão de obra e otimizar a presença física de funcionários durante janelas de menor movimento ou nos intervalos entre pousos e decolagens.
A expansão ocorre após um período de testes no Aeroporto de Haneda (HND), em Tóquio. Durante a fase piloto, mais de 25 mil interações foram registradas, obtendo um índice de resolução de dúvidas e solicitações de 98,4%, desempenho considerado equivalente ao atendimento presencial tradicional.
A automação do atendimento de passageiros nos terminais japoneses reflete tendências de gestão de custos e digitalização, que pressionam a aviação civil global e dialogam diretamente com a agenda do setor no Brasil. A substituição de posições fixas em solo por centrais remotas alinha-se ao pacote de medidas em formulação pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para reduzir as despesas das companhias aéreas. A adoção de ferramentas digitais e suporte remoto surge como alternativa complementar às tratativas do ministro Tomé Franca para baratear custos com combustíveis (QAV) e taxas aeroportuárias.
O uso de avatares robotizados para viabilizar operações regionais com equipe enxuta atende aos requisitos operacionais do modelo ultra low cost. A experiência japonesa serve de referência em meio às negociações conduzidas pela Anac para a implementação das 7ª, 8ª e 9ª liberdades do ar, cujo objetivo é atrair novas empresas estrangeiras de baixo custo para atuar no mercado doméstico e em rotas regionais brasileiras.
A iniciativa do Grupo ANA reforça o papel do Oriente na liderança em automação logístico-aeroportuária. O movimento ocorre em perfeita sintonia com a missão oficial liderada pelo ministro Tomé Franca à China e Singapura, onde o governo brasileiro formaliza acordos de cooperação técnica focados na digitalização e criação de corredores eficientes para o transporte de passageiros e carga aérea, modal que passará a ser incorporado nas próximas revisões do Plano Nacional de Logística (PNL).