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Nacional

Alckmin diz que negociação com os EUA ainda não terminou

Atualizado em: 1 de August de 2025 às 8:26
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Vice-presidente afirma que governo buscará reverter tarifa de 50% e proteger setores afetados pela medida de Trump

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil continuará buscando soluções diplomáticas e comerciais para mitigar os impactos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. “A negociação (com os EUA) não terminou hoje, ela começa hoje”, disse, ao reforçar que o governo brasileiro não considera encerrado o diálogo com a administração norte-americana.

Alckmin avaliou que, mesmo após o decreto assinado na quarta-feira (30) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs alíquota de 50% sobre produtos brasileiros, ainda há margem para conversas. “É um perde-perde. Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento, e encarece os produtos americanos”, declarou.

O governo norte-americano, no entanto, incluiu na decisão uma lista com cerca de 700 exceções, abarcando segmentos considerados estratégicos tanto para os EUA quanto para o Brasil, como aeronáutico, energético e parte do agronegócio. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) calcula que, com essas exceções, cerca de 43% das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2024 não foram afetadas. Ainda assim, segundo Alckmin, 35,9% das vendas permanecerão sob a tarifa de 50%.

“Vamos defender os 35% das exportações que foram afetadas. Vamos nos debruçar nesses 35% e preservar empregos, fazendo estudos visando esses setores mais atingidos”, afirmou o vice-presidente, durante entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo, na quinta-feira (31).

Ele detalhou que parte da redução do impacto ocorreu porque “45% dos produtos foram retirados da lista de aumento pelos EUA”; que aço e alumínio “já tinham alíquota de 50%, assim permanecem”; e que automóveis e autopeças “tinham alíquota de 25% dos EUA ao mundo inteiro, e assim continuam”.

Entre os itens que escaparam do tarifaço estão o suco e a polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis (com motores e peças), celulose, polpa de madeira, energia, metais preciosos e produtos energéticos.

Em contrapartida, café, frutas e carnes — setores nos quais o Brasil tem grande participação internacional — não foram contemplados pelas exceções e serão taxados em 50%.

O vice-presidente destacou o caso do café como exemplo da relevância do produto para os consumidores americanos. “Brasil é o maior exportador do mundo, maior produtor do mundo. Vai ter de buscar outros mercados, ou vamos trabalhar com os EUA, pois é um grande consumidor de café. E eles tomam aquele café grandão, eles precisam do nosso café arábica para o blend. Primeiro trabalhar para baixar a tarifa, eles não produzem café”, afirmou.

LEGENDA
“Vamos nos debruçar nesses 35% e preservar empregos, fazendo estudos visando esses setores mais atingidos”. afirmou o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin em entrevista

Foto: Cadu Gomes/VPR

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TAGS Alckmin TARIFAS EUA
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