Mudanças climáticas
Amazonas decreta emergência climática preventiva diante do El Niño
Medida terá duração inicial de 180 dias e mobiliza órgãos estaduais para enfrentar riscos de seca severa, incêndios florestais e impactos socioeconômicos
O Governo do Amazonas decretou Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o território estadual como medida preventiva diante das projeções meteorológicas que indicam intensificação dos efeitos do fenômeno El Niño e possibilidade de agravamento das condições climáticas até o primeiro semestre de 2027.
Publicada em 1º de junho por meio do decreto nº 54.274, a determinação estabelece uma mobilização integrada da administração estadual para antecipar respostas aos impactos previstos sobre o meio ambiente, a infraestrutura e as populações mais vulneráveis.
Assinado pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), o decreto determina que secretarias, autarquias e demais órgãos públicos adotem medidas urgentes de prevenção, mitigação e preparação para enfrentar um cenário de estiagem severa, redução dos níveis dos rios, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.
A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação caso os indicadores climáticos e os órgãos oficiais de monitoramento apontem persistência das condições extremas.
O objetivo do governo estadual é antecipar ações para reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais que costumam acompanhar eventos climáticos dessa natureza, especialmente em um estado cuja dinâmica econômica, logística e abastecimento dependem fortemente da rede hidrográfica.
Para coordenar a resposta institucional, o decreto atribui ao Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos a responsabilidade de planejar, integrar e acompanhar as medidas emergenciais. O grupo deverá articular ações envolvendo monitoramento meteorológico, defesa civil, segurança pública e estratégias preventivas em diferentes áreas da administração.
A decisão ocorre em um momento de atenção internacional para o comportamento do clima.
Nesta quinta-feira (11), a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a formação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo a agência norte-americana, as condições já estão estabelecidas e devem ganhar intensidade durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.
A confirmação era aguardada após meses de monitoramento que apontavam aquecimento gradual do Pacífico e aumento contínuo da probabilidade de formação do fenômeno. Em maio, a própria NOAA estimava em 82% a chance de consolidação do evento climático ainda neste primeiro semestre.
Tradicionalmente, episódios de El Niño provocam alterações importantes nos padrões de chuva em diferentes regiões do planeta. Na Amazônia, o fenômeno costuma estar associado à redução das precipitações, queda dos níveis dos rios, ampliação das áreas suscetíveis a queimadas e aumento da pressão sobre atividades econômicas e comunidades que dependem do transporte hidroviário.
Além dos efeitos ambientais, especialistas apontam que eventos mais intensos podem gerar impactos sobre agricultura, abastecimento de água, geração de energia e comportamento dos preços de alimentos.
Com o decreto em vigor, o Amazonas busca antecipar medidas de resposta e evitar que um eventual agravamento das condições climáticas produza efeitos semelhantes aos registrados em episódios recentes de seca extrema na região.