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Amcham pede diálogo e rejeita retaliação do Brasil contra tarifas dos EUA
Entidade afirma que medidas de reciprocidade podem elevar custos e afetar investimentos; pesquisa mostra que 90,5% das empresas defendem negociações entre os dois governos
A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) defende que a adoção de medidas de retaliação por parte do Brasil, em relação às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, seja evitada. Nessa sexta-feira, a entidade propôs a intensificação dos diálogos de alto nível e negociações entre os dois governos, para reduzir a sobretaxação e evitar novas restrições. No dia anterior, na quinta-feira, o Governo Federal havia anunciado a abertura formal do processo para avaliar se a imposição das tarifas contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Em nota, a Amcham considerou que “a adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada”.
De acordo com a Câmara, uma pesquisa apontou que 90,5% das empresas defendem o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos; e apenas 3,2% querem a adoção de medidas de reciprocidade.
Também nessa sexta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ouvirá os empresários brasileiros e estrangeiros sobre os possíveis impactos da aplicação da Lei da Reciprocidade do Brasil, em resposta ao tarifaço.
Após as eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa sexta-feira, dia 14, que o Governo só concederá o agrément ao indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez, após as eleições de outubro. “Ouvi dizer que eles (EUA) queriam mandar duas pessoas para vir para cá para estudar as urnas, e nós não demos o visto. Agora, querem que eu apressadamente aceite o embaixador deles. Mas, agora, só (vamos aceitar) depois das eleições”, disse.
Lula criticou a demora na indicação e o momento em que ela foi feita. “Se o embaixador dos EUA é importante para o Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá? E por que só agora, faltando 45 dias para as eleições, eles querem mandar?”, questionou.