Nordeste Export
Ampliação de linhas de transmissão de energia é desafio para o Nordeste
Formação de mão de obra e de cursos específicos para o setor também foram citados durante painel do Nordeste Export
A ampliação das linhas de transmissão da rede elétrica e a falta de formação de mão de obra foram citados como grandes desafios pelos participantes do painel que discutiu avanços e desafios para a transição energética na região Nordeste, durante o Nordeste Export, realizado em Teresina (PI).
Joaquim Milhomem, gerente de Relacionamento com o Cliente no Grupo Equatorial Energia, que tem a concessão do serviço no Piauí, explicou que a empresa começou a atender o estado em 2018 e, desde então, vem realizando melhorias e ampliações na rede.
“Há uma dificuldade em estender a rede em um território tão extenso como o Piauí. Uma das nossas estratégias é a instalação, em módulos, de estações que fornecem energia para determinadas regiões, o que evita a supressão de árvores (em grande escala)”, explicou Joaquim.
Ainda segundo ele, a rede de linhas de transmissão local é “carente há muitos anos”. Por isso, no escopo da empresa, estão estudos para ampliar e modernizar o serviço não só de transmissão, mas também de suporte. “Há necessidades marcantes no Norte do estado, na região da ZPE (zona de processamento de exportação) e do porto. E na região Sul, para atender o agro”, avaliou.
Roger Jacob, diretor regional do Senai Piauí, falou sobre como a região está lidando com a necessidade de formação de mão de obra voltada tanto para o setor energético, como para a cadeia promissora do hidrogênio verde (H2V) no Nordeste.
Ele explicou que o Senai tem um grande programa de investimento em andamento na unidade de Teresina, voltado à formação de profissionais para a cadeia do H2V e da amônia verdes. O órgão também tem feito parcerias com as concessionárias e empresas investidoras do setor de energia elétrica e renováveis, como eólica e solar.
“Dentro desse escopo da ‘profissão do futuro’, a gente já tem um relacionamento com os grandes investidores dessa área de hidrogênio e amônia verde, para fazer a formação profissional”, contou.
Jacob citou ainda que, em julho, o Senai Piauí começou a primeira turma de montador de linha de transmissão. “É a primeira escola no Brasil com uma turma voltada a isso, o que é um drama para o país. Precisamos formar mais de 20 mil montadores e lançadores de cabos de linha de transmissão, que vão atender os leilões que já aconteceram em 2023 e 2024”.
Também debateram Luane Lemos, gerente de Meio Ambiente do Porto do Itaqui (MA) e fundadora da Aliança Brasileira para Descarbonização de Portos, e Rebeca Oliveira, vice-presidente financeira do Complexo do Pecém (CE). A moderação foi feita por Felipe Queiroz, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).