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Aviação

Anac quer criar categoria específica de piloto para “carro voador”

Atualizado em: 13 de February de 2026 às 14:24
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Agência Brasil

Agência reguladora vai ouvir profissionais e fabricantes

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão regulador e fiscalizador do setor aéreo no país, estuda criar uma categoria específica para pilotos dos chamados “carros voadores”.

A agência federal abriu consulta pública para coletar contribuições da sociedade civil sobre novos requisitos para pilotos das aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.

Os carros voadores são conhecidos pela sigla eVTOL, do inglês electric vertical takeoff and landing.

A consulta pública vai fornecer parâmetros para uma proposta de emenda ao Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 61, que estabelece os requisitos para licenças, habilitações e certificados de profissionais da aviação civil.

O órgão regulador espera conseguir contribuição principalmente de pilotos, organizações de treinamento, fabricantes, operadores e especialistas.

Período de transição

A Anac diz que a iniciativa busca preparar, de forma gradual e segura, o sistema brasileiro de licença para o que chama de “novos conceitos de aeronaves” que compõem a mobilidade aérea avançada.

A ideia da instituição é ter um modelo de formação com treinamento específico para habilitação. De início, haveria um período de transição destinado a pilotos de avião e helicóptero já licenciados.

Para a Anac, com esse período seria possível acumular experiência operacional e evidências regulatórias, criando-se um arcabouço de conhecimento para a criação de requisitos completos de formação de pilotos de carros voadores, sem necessidade de experiência prévia em outras categorias.

A agência detalha que a habilitação de pilotos seria específica e complementada por experiência supervisionada em operações típicas, sendo finalizada com um exame prático de verificação de perícia.

A consulta pública está aberta até 16 de março. A participação é por meio do Portal Brasil Participativo.

Associação de pilotos

Procurada pela Agência Brasil, a Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) informou que entende, em um primeiro momento, a chegada dos carros voadores como a abertura de um novo mercado. “O que é bom para os nossos associados. Teremos uma adaptação teórica e prática, nos termos da regulamentação que a Anac fará”, afirmou o diretor Abrapac Carlos Perin.

No entanto, Perin entende que em um momento mais adiante haverá supressão desse tipo de profissional. Ele acredita que os carros voadores seguem para um futuro de transporte não tripulado. “A barreira cultural em aceitar transporte em aeronave não tripulada será gradualmente removida com a presença de um piloto nas versões iniciais do eVTOL”, disse

“Após a aceitação cultural pelo mercado consumidor, aquele posto de trabalho será desativado, e a versão final do projeto será efetivada, com apenas passageiros a bordo da aeronave remotamente controlada”, concluiu o diretor da Abrapac.

Fabricação no Brasil

Ainda na fase de protótipos e fase final de teste, os eVTOLs são apontados como um dos caminhos futuros da aviação. Totalmente elétrico e por não usar combustível fóssil, como gasolina, óleo ou querosene, o eVTOL é tratado como uma tecnologia verde, que pode contribuir com a transição energética para uma economia de baixo carbono, ou seja, contrária ao efeito estufa.

Em 2024, a Anac publicou critérios finais de aeronavegabilidade para o eVTOL. O documento apresenta padrões que a aeronave precisa cumprir, quanto à sua estrutura, sistemas de controle, propulsão e bateria, por exemplo. Essas informações são determinantes para garantir a segurança do voo.

A empresa privada brasileira Embraer se posiciona como uma das pioneiras internacionalmente no desenvolvimento dessas aeronaves, por meio da subsidiária Eve Air Mobility (Eve).

A fábrica da empresa em Gavião Peixoto, no interior paulista, busca formas de criar carros voares viáveis comercialmente. No fim de dezembro passado, a Eve fez o primeiro voo de um protótipo da empresa.

Na última quinta-feira (5), a Eve anunciou que fechou um contrato para vender dois veículos para a japonesa AirX, que atua com transporte aéreo. Atualmente, a empresa asiática opera com frota de helicópteros.

A entrega dos veículos é prevista para 2029. O contrato pode ser ampliado, pois há a opção de compra de até 50 unidades.

O projeto de desenvolvimento da Eve conta com apoio público, uma vez que a Embraer recebeu financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à inovação do governo federal, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

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