Petróleo e Gás
ANP libera retomada de poço da Petrobras na Foz do Amazonas
Autorização é condicionada ao cumprimento de exigências técnicas após paralisação causada por vazamento de fluido de perfuração no início de janeiro
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou, de forma condicionada, a Petrobras a retomar a perfuração do poço exploratório Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. A liberação ocorreu cerca de um mês após a paralisação das atividades, motivada por um vazamento de fluido de perfuração identificado no início de janeiro, e só passa a valer depois que a estatal comprovar o cumprimento integral das exigências técnicas e operacionais estabelecidas pela agência reguladora.
A perfuração estava suspensa desde 4 de janeiro, quando um incidente envolvendo a sonda ODN II (NS-42) provocou a liberação de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares, tubulações de apoio que conectam o navio-sonda ao poço. Segundo a Petrobras, o material vazado foi um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, utilizado em operações offshore para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. A companhia informou à época que o vazamento foi rapidamente contido e isolado, sem registro de liberação de petróleo, e que o material é biodegradável e não representa risco ao meio ambiente ou à população.
A autorização da ANP foi comunicada oficialmente à Petrobras na quarta-feira, 4, após a análise técnica do incidente e das medidas corretivas propostas pela empresa. No documento, a agência afirma que, considerando as avaliações realizadas e as ações mitigadoras apresentadas, não há impedimento para a retomada da perfuração do poço Morpho, desde que todas as condicionantes sejam rigorosamente atendidas.
Entre as principais exigências impostas à estatal está a substituição de todos os selos das juntas do riser — os trechos suspensos das tubulações que interligam as linhas de produção às plataformas — conforme o procedimento mais recente adotado pela companhia. Após a instalação da última peça, a Petrobras deverá encaminhar à ANP, em até cinco dias, evidências fotográficas e análise técnica que comprove a adequação do material e da execução do serviço.
A agência também determinou que a Petrobras comprove o treinamento de toda a equipe envolvida no novo protocolo de descida do BOP, equipamento de segurança essencial para o controle do poço. Além disso, a estatal terá de revisar o Plano de Manutenção Preventiva, reduzindo o intervalo de coleta de dados dos registradores de vibração submarina nos primeiros 60 dias de operação. O uso de juntas de riser reserva ficará condicionado à apresentação prévia de certificados de conformidade que atestem inspeção ou reparo conforme as normas técnicas.
O incidente que levou à paralisação ocorreu no domingo, 4 de janeiro, e resultou na interrupção oficial da perfuração dois dias depois. As linhas auxiliares foram trazidas à superfície para inspeção, avaliação e reparo. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi comunicado e informou que não houve vazamento de petróleo associado ao episódio.
Margem Equatorial
A retomada da perfuração do poço Morpho se insere em um contexto mais amplo de exploração da Margem Equatorial brasileira, considerada uma das principais novas fronteiras de petróleo e gás do país. Em outubro de 2025, o Ibama concedeu à Petrobras autorização para perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, em um aval restrito à fase de pesquisa exploratória. A licença não permite produção comercial e tem como objetivo a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala economicamente viável.
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-059, em mar aberto, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e aproximadamente 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, em área de águas profundas. A Petrobras estima que a campanha de perfuração exploratória tenha duração aproximada de cinco meses, prazo após o qual será possível avaliar com mais precisão os resultados geológicos obtidos.
Estimativas do governo indicam que a Margem Equatorial poderia sustentar uma produção da ordem de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, volume superior à capacidade individual de grandes campos da Bacia de Santos, como Tupi e Búzios. O Ministério de Minas e Energia avalia que a região poderia conter até 10 bilhões de barris de petróleo, enquanto a Empresa de Pesquisa Energética calcula que apenas a Bacia da Foz do Amazonas teria um volume recuperável de cerca de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente.
Atualmente, as reservas comprovadas do Brasil somam 16,8 bilhões de barris, volume considerado suficiente para manter o país sem necessidade de importação de petróleo até o fim da década.