Comércio exterior
ApexBrasil escolhe Etiópia para instalar primeiro escritório na África
Unidade instalada em Adis Abeba terá atuação regional e busca diversificar as exportações brasileiras, além de aproximar empresas dos mercados africanos
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) inaugurou nesta quarta-feira (2) seu primeiro escritório permanente no continente africano, em Adis Abeba, capital da Etiópia. A nova unidade terá atuação regional e foi criada para ampliar a presença de empresas brasileiras na África, fortalecer o comércio e os investimentos e aproveitar a posição estratégica do país no leste do continente.
A instalação do escritório ocorre após uma missão empresarial da ApexBrasil à Etiópia, realizada em fevereiro deste ano, e encerra a agenda da agência por cinco países africanos: Angola, África do Sul, Zâmbia, Moçambique e Etiópia. A proposta é transformar os contatos estabelecidos durante as missões em relações comerciais permanentes.
O internacionalista George Okechukwu Maha, funcionário de carreira da ApexBrasil com experiência no continente africano, será o representante do novo escritório.
Durante a cerimônia de inauguração, o embaixador do Brasil na Etiópia, Jandyr Ferreira dos Santos, afirmou que a presença permanente representa uma mudança na relação econômica entre os dois países. “Missões empresariais são importantes. Visitas de alto nível são essenciais, mas uma presença permanente cria algo diferente: continuidade.”
Segundo o diplomata, o objetivo é fazer com que oportunidades comerciais sejam acompanhadas de forma contínua e possam resultar em projetos, investimentos e empregos.
Comércio ainda concentrado
Apesar do potencial de expansão, o comércio entre Brasil e Etiópia ainda é pequeno diante do tamanho das duas economias. As exportações para o país seguem concentradas principalmente na venda de óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, que representam cerca de 97,4%.
A agência identificou, entretanto, 59 oportunidades de exportação para o mercado etíope. Entre os segmentos com potencial estão máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos, materiais de construção, alimentos e bens manufaturados. Também há um projeto setorial voltado ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.
A intenção da ApexBrasil é justamente ampliar essa pauta e levar empresas brasileiras para segmentos de maior valor agregado.
Com cerca de 135 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo país mais populoso da África. O mercado local apresenta oportunidades em áreas como agricultura, energia, manufatura, mineração, tecnologia e infraestrutura.
Além do mercado interno, a localização foi um dos principais fatores considerados para a escolha da Etiópia. Adis Abeba é um importante hub de aviação do continente e possui ligação aérea direta com São Paulo operada pela Ethiopian Airlines.
A capital também foi escolhida pela proximidade com estruturas de integração continental. A Etiópia é apresentada pela ApexBrasil como uma porta de entrada para a Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), que reúne mercados de todo o continente.
Agricultura e indústria entre as prioridades
A aproximação com a Etiópia também envolve setores nos quais o Brasil possui experiência, especialmente agricultura e produção de alimentos.
O comissário da Comissão de Investimentos da Etiópia, Zeleke Temesgen, citou como áreas prioritárias o agronegócio, a produção de café, sementes oleaginosas, pecuária e manufatura. Também estão entre os setores de interesse a indústria têxtil, vestuário, couro e bens de consumo.
A agenda inclui ainda possibilidades de cooperação em bioenergia, energia solar, tecnologias limpas, logística, transporte e infraestrutura.
A Embrapa já mantém presença institucional em Adis Abeba, assim como a Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Com a chegada da ApexBrasil, o país passa a contar na capital etíope com estruturas brasileiras voltadas à promoção comercial, pesquisa agrícola e cooperação para o desenvolvimento.
Para o embaixador Jandyr Ferreira dos Santos, o desafio agora é transformar essa proximidade em negócios. “A diplomacia pode criar oportunidades, governos podem estabelecer arcabouços e acordos podem aproximar nossos países, mas se quisermos construir uma relação econômica verdadeiramente madura, nossas empresas, investidores e empreendedores também precisam se aproximar”, afirmou.