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Aviação

Aviação fecha 2025 com recorde de passageiros e avanço da agenda ambiental

Atualizado em: 16 de January de 2026 às 10:49
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Governo aponta movimentação de 130 milhões de passageiros, ampliação de investimentos em aeroportos regionais e primeiros passos para o uso de combustível sustentável

O ano de 2025 marcou um período de forte expansão da aviação civil brasileira, com recordes de movimentação de passageiros e avanço de projetos voltados à infraestrutura, à aviação regional e à agenda ambiental. A avaliação é do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que atribui os resultados a uma combinação de recuperação da demanda, investimentos públicos e privados e ajustes regulatórios ao longo dos últimos anos.

Dados consolidados indicam que cerca de 130 milhões de passageiros passaram pelos aeroportos brasileiros em 2025, o maior volume já registrado no país. Segundo o MPor, o número reflete um processo contínuo de retomada iniciado após a pandemia, que adicionou mais de 30 milhões de usuários ao sistema aéreo nacional nos últimos três anos. No mercado internacional, a movimentação alcançou 28,5 milhões de passageiros, crescimento de 13,7% em relação a 2024 e de 20% na comparação com 2019, período anterior à crise sanitária. As informações têm como base levantamentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do próprio ministério.

Na avaliação da pasta, o desempenho reforça o papel do transporte aéreo como vetor de integração territorial e econômica, especialmente em um país de grandes dimensões. O ministério também destaca que o crescimento ocorreu de forma mais distribuída, com expansão gradual da aviação regional e maior utilização de terminais fora dos grandes centros.

Para sustentar a ampliação da demanda, a infraestrutura aeroportuária foi tratada como prioridade em 2025, segundo o MPor. O setor aéreo foi incluído na carteira do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com previsão de R$ 1,8 bilhão em investimentos destinados a 31 aeroportos localizados em 16 estados. Os projetos contemplam obras de ampliação, adequação operacional e melhorias de segurança, com foco especial em aeroportos regionais.

Além dos recursos públicos, o ministério aponta que o ambiente regulatório contribuiu para atrair capital privado. Em 2025, os investimentos privados no setor somaram R$ 2,6 bilhões, enquanto os aportes públicos diretos totalizaram R$ 608,4 milhões. Para a pasta, esses números refletem maior previsibilidade jurídica e contratos mais alinhados ao perfil de longo prazo do setor aeroportuário.

Entre os programas estruturantes, o MPor destaca o avanço do AmpliAR, iniciativa voltada à atração de investimentos privados para aeroportos regionais. Em 2025, foram leiloados 13 terminais, concentrados principalmente na Amazônia Legal e no Nordeste. O primeiro certame garantiu a previsão de R$ 731 milhões em investimentos. Segundo o ministério, a estratégia busca ampliar a conectividade aérea, estimular economias locais e incorporar padrões de gestão adotados por concessionárias com atuação internacional.

Outro instrumento citado é o programa Investe+Aeroportos, que promoveu ajustes contratuais em aeroportos já concedidos, com ampliação de prazos e maior clareza regulatória para projetos comerciais. Até o fim do ano, 19 empreendimentos haviam sido aprovados, somando R$ 4,5 bilhões em investimentos. Entre eles estão centros logísticos, oficinas de manutenção aeronáutica e salas VIP, além de novos terminais de passageiros.

Sustentabilidade

A sustentabilidade ganhou maior peso na política pública para o setor aéreo em 2025, segundo o MPor. Em dezembro, foi firmado o primeiro programa de financiamento estruturado para a aviação com recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O contrato prevê a liberação de até R$ 4 bilhões, destinados a projetos de inovação, aquisição de aeronaves produzidas no país e, sobretudo, ao desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF).

No campo regulatório, avançou a implementação do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), criado pela Lei do Combustível do Futuro. A norma estabelece metas graduais de redução das emissões de carbono das companhias aéreas a partir de 2027, com objetivo de atingir uma redução de 10% até 2037. Para o ministério, o marco legal cria previsibilidade para investimentos em novas rotas tecnológicas e na cadeia produtiva do SAF.

Inclusão e políticas sociais

Além dos indicadores operacionais e financeiros, o MPor afirma que 2025 também foi marcado pela ampliação de iniciativas voltadas à inclusão e à cidadania no ambiente aeroportuário. Um dos destaques foi o lançamento do Programa de Atendimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa resultou na implantação de 22 salas multissensoriais em aeroportos do país, além da criação de 12 espaços de acomodação e da capacitação de profissionais para atendimento especializado, superando metas intermediárias previstas no Plano Viver sem Limites.

Outra ação mencionada é a campanha “Assédio Não Decola”, desenvolvida em parceria com a Anac e concessionárias aeroportuárias. Segundo o ministério, a iniciativa ampliou ações educativas e canais de denúncia para combater casos de importunação sexual e violência contra mulheres no contexto do transporte aéreo.

Na área de formação profissional, um acordo firmado com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) viabilizou a oferta de 74 bolsas gratuitas para o curso de Mecânico de Manutenção Aeronáutica. O foco, de acordo com o MPor, é ampliar o acesso de jovens de baixa renda a carreiras técnicas em um segmento que enfrenta demanda crescente por mão de obra qualificada.

Na avaliação do ministério, os resultados de 2025 indicam uma combinação de expansão do mercado, modernização da infraestrutura e incorporação de temas ambientais e sociais à política pública para a aviação civil.

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