Aviação
Azul conclui reestruturação nos EUA e deixa o Chapter 11 após nove meses
Companhia anuncia US$ 850 milhões em novos investimentos, redução de US$ 2,5 bilhões em dívidas e apoio de United, American e AerCap
A Azul Linhas Aéreas anunciou, na noite de sexta-feira (20), a conclusão do processo voluntário de reestruturação financeira nos Estados Unidos e a saída do Chapter 11, mecanismo previsto na legislação americana equivalente à recuperação judicial no Brasil.
Segundo a companhia, o Plano de Reorganização foi confirmado pela Justiça dos Estados Unidos e entrou oficialmente em vigor. O processo foi concluído em menos de nove meses.
De acordo com comunicado ao mercado, a empresa deixa o Chapter 11 com US$ 850 milhões em novos investimentos em ações, além de redução de aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações relacionadas a arrendamentos. A reestruturação incluiu ainda a emissão de US$ 1,375 bilhão em novos títulos.
A Azul informou que a operação resultou em queda superior a 50% nas despesas anuais com juros. A dívida relacionada ao arrendamento de aeronaves foi reduzida em 36%, e os custos de locação diminuíram em cerca de um terço, segundo a companhia, sem perda de capacidade operacional. A alavancagem líquida proforma ficou abaixo de 2,5 vezes.
O processo contou com o apoio de parceiros financeiros e estratégicos, entre eles detentores de títulos da companhia, fornecedores, o arrendador AerCap — maior empresa global de leasing de aeronaves — e as companhias aéreas norte-americanas United Airlines e American Airlines.
Na quinta-feira (19), a Azul havia anunciado três acordos de investimento no valor total de US$ 300 milhões. Desse montante, US$ 100 milhões serão investidos pela United Airlines e outros US$ 100 milhões pela American Airlines. Em ambos os casos, a expectativa é que as empresas recebam participação acionária na Azul, mediante aprovação regulatória no caso da American.
Acordo adicional
A companhia também firmou acordo adicional de investimento de cerca de US$ 100 milhões com determinados credores existentes, conforme comunicado divulgado ao mercado na quarta-feira (18), sem detalhar os nomes envolvidos.
Durante o processo de reestruturação, parte das dívidas foi convertida em ações, estratégia que altera a posição dos credores, que deixam de receber juros e passam a integrar o quadro acionário. O anúncio dessa conversão chegou a provocar forte reação no mercado financeiro, com queda de até 70% nas ações da empresa em 8 de janeiro deste ano.
Em comunicado, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou: “Em menos de nove meses, concluímos uma reestruturação abrangente que fortaleceu significativamente nosso balanço e posicionou a Azul para a estabilidade de longo prazo. Estamos saindo do Chapter 11 com o apoio de alguns dos mais respeitados parceiros financeiros e estratégicos da aviação global”. Ele também agradeceu aos colaboradores e afirmou que a empresa conseguiu manter o nível de serviço durante o período.
A companhia destacou que, enquanto conduzia o processo de reestruturação, manteve suas operações regulares. Segundo os dados divulgados, a Azul opera cerca de 800 voos diários, atende 130 cidades e conta com frota de 175 aeronaves. Em 2025, transportou 32 milhões de clientes e registrou índice de pontualidade de 85,1%, conforme informado no comunicado.