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Aviação

Azul muda marca e amplia operação em logística

Atualizado em: 11 de May de 2026 às 12:25
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Além de mudar a marca, empresa anuncia programa com novas aeronaves dedicadas a carga e ampliação de rotas no Brasil e no exterior

A Azul Linhas Aéreas anunciou que sua divisão de cargas deixará de operar sob a marca Azul Cargo e passará a se chamar Azul Logística, em uma mudança que amplia o escopo da unidade para soluções multimodais. Segundo a companhia, a proposta é integrar operações nos modais aéreo, rodoviário e marítimo e oferecer serviços logísticos completos, incluindo etapas de primeira, segunda e última milhas.

A empresa informou que a nova estrutura pretende triplicar a capacidade dedicada da operação até o fim de 2027. Hoje, a unidade opera com duas aeronaves cargueiras Airbus A321P2F/A321F (modelo convertido de passageiros para cargueiro) e planeja chegar a seis unidades dedicadas. A programação divulgada prevê a incorporação de duas aeronaves em 2026 — uma em outubro e outra em dezembro — e outras duas ao longo de 2027.

Além da frota cargueira dedicada, a operação continuará utilizando capacidade disponível nos porões da frota de passageiros da Azul, composta por mais de 200 aeronaves. A companhia citou, entre os modelos utilizados na malha, Airbus A320 e A330, Embraer E2, ATR e Cessna Grand Caravan, apontando que a diversidade de aeronaves amplia a flexibilidade para diferentes perfis de carga e rotas.

A Azul afirmou que a Azul Logística passará a atender mais de 5.100 cidades brasileiras, cobrindo cerca de 96% do território nacional, e manterá atuação internacional em 47 países. De acordo com os dados apresentados pela empresa, em 2025 a unidade movimentou aproximadamente 21,6 milhões de volumes.

A mudança de marca e de posicionamento foi atribuída, pela direção da unidade, à avaliação de que a operação de cargas poderia ir além do transporte aéreo. “A Azul Logística nasce desse olhar para dentro, com a proposta de integrar soluções e atender cada cliente de forma mais completa, combinando diferentes formas de transporte de acordo com a necessidade de cada operação”, afirmou Izabel Reis, diretora da Azul Logística.

Com a reformulação, a empresa informou que pretende ampliar o atendimento a segmentos como pequenas e médias empresas, agronegócio, saúde, indústria, comércio eletrônico e operações associadas a encomendas expressas, cargas paletizadas, serviços porta a porta e distribuição para o e-commerce. A companhia também informou que mantém mais de 350 lojas no Brasil e no exterior vinculadas à operação logística.

A estratégia anunciada inclui o reforço da presença internacional e expansão de rotas na América do Sul. A Azul citou o anúncio de uma nova rota para Lima, no Peru, e informou que ampliou frequências em mercados como Argentina e Chile. No Brasil, a empresa mencionou novas operações logísticas com voos regulares para Porto Velho (RO), como parte do plano de capilaridade.

Em uma apresentação sobre a reestruturação da companhia, Daniel Bicudo, vice-presidente comercial e de negócios da Azul, relacionou a ampliação da logística a uma fase de reorganização financeira e operacional após a saída do Chapter 11 nos Estados Unidos, concluída em fevereiro de 2026, segundo a empresa. O executivo afirmou que o grupo projeta alcançar R$ 27 bilhões em vendas em 2026 e disse que a unidade de cargas “vem ganhando complexidade e densidade” em ritmo acima do esperado.

Ainda na mesma apresentação, Bicudo afirmou que a companhia revisou ou cancelou mais de 1.200 contratos durante o processo de reorganização e reestruturou rotinas e áreas administrativas relacionadas a finanças, contas a pagar, tesouraria, centros de custo e gestão operacional. Ele também citou medidas operacionais voltadas à redução de despesas, incluindo simplificações em itens de bordo, e disse que a empresa iniciou a retirada de aeronaves mais antigas e menos eficientes no consumo de combustível.

Sobre custos, Bicudo afirmou que o querosene de aviação representa cerca de 60% das despesas da companhia e citou um cenário de pressão sobre o setor aéreo, associado a tensões geopolíticas no Oriente Médio e ao estreito de Ormuz. “Nossa estratégia é elevar tarifas gradativamente, acompanhando o comportamento das outras companhias. Um dia é a Azul que sobe, outro dia a Gol, depois a Latam acompanha. Não é sustentável operar de outra forma”, afirmou.

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