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Bahia Export

Bahia avança na transição energética com expansão do gás natural

10 de April de 2026 às 14:26
Beatriz de Castela Enviar e-mail para o Autor

Estado investe na interiorização de gasodutos, descarbonização industrial e reaproveitamento de resíduos 

O cenário geopolítico mundial, agravado por conflitos na Europa e no Oriente Médio, tem provocado crises no fornecimento e forte volatilidade nos preços da energia no mercado internacional. Como consequência, países europeus como a Alemanha precisaram retomar o uso do carvão mineral, que permanece como a segunda fonte de energia mais consumida no mundo. Em contraste ao movimento, o Brasil se destaca por possuir a matriz energética mais limpa entre os países do G20, impulsionada pela forte presença de combustíveis renováveis. Nesse contexto de transição, a Bahia vem se consolidando como um importante polo de produção e movimentação de energia.

Durante a terceira edição do fórum Bahia Export, o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, destacou o papel do gás natural como o combustível fóssil menos poluente e um vetor essencial para a transição energética global. A estimativa é de que, mesmo com os avanços na descarbonização, derivados de petróleo e gás natural ainda representem entre 45% e 50% da matriz energética mundial até 2050. Na Bahia, a estratégia tem sido integrar o uso do gás natural às energias renováveis, como a eólica e a solar, assegurando a estabilidade e a segurança energética que essas fontes intermitentes não conseguem garantir de forma isolada.

Foto: Divulgação

Um exemplo dessa integração é o novo Instituto Couto Maia, hospital de referência que opera com uma matriz energética composta por 91% de gás natural e 9% de energia solar, utilizando um sistema avançado de eficiência energética que reaproveita o calor residual para aquecimento de caldeiras. Paralelamente aos novos projetos, há um esforço contínuo de descarbonização no polo industrial de Camaçari, onde estão concentradas 50% das plantas baianas que utilizam o gás natural como matéria-prima.

Para atender a todo o território baiano, cujas dimensões são comparáveis às da França, o estado enfrenta elevados custos e gargalos de infraestrutura. A Bahiagás trabalha há oito anos na implantação de um gasoduto de 306 quilômetros voltado ao Sudoeste do estado. A interiorização também busca alcançar o extremo Oeste da Bahia, um importante polo do agronegócio que inclui cidades como Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Essa região enfrenta uma grave crise energética, com demanda reprimida estimada em 2,8 gigawatts. Para áreas onde o gasoduto não é viável, o estado projeta alternativas logísticas, como o transporte por carretas de gás liquefeito ou comprimido em trajetos de até 400 quilômetros.

A fronteira verde do biometano

Além da expansão da infraestrutura de gás natural, a Bahia avança com foco na produção de biometano, conhecido como gás natural renovável. Estão em desenvolvimento projetos para geração de bioenergia a partir de resíduos urbanos e de atividades agrícolas. Por meio de um convênio com a Embasa, o estado também planeja transformar o lodo de esgotamento sanitário em bioenergia.

No interior, iniciativas já se destacam pelo aproveitamento de resíduos de grandes confinamentos de gado para geração energética. O uso de biodigestores flexíveis, com financiamento priorizado pela Finep, pode viabilizar a criação da primeira microrregião verde do Nordeste, garantindo abastecimento autossustentável nessas localidades.

Do ponto de vista econômico, essa estratégia regional tem protegido a economia baiana de choques externos. A priorização da produção terrestre resultou na recuperação dos campos maduros da Bacia do Recôncavo Baiano, cuja produção passou de menos de 1,2 milhão para mais de 2 milhões de metros cúbicos diários.

Atualmente, 68% do gás adquirido pela Bahiagás provêm da produção regional do Nordeste. Ao incentivar empresas produtoras e comercializadoras independentes, a Bahia reduziu os riscos de desabastecimento global e assegurou a tarifa média de gás natural mais competitiva do Brasil para a indústria, ficando atrás apenas de Alagoas, que opera com produção totalmente local.

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