Bahia Export
Bahia enfrenta situação crítica sem malha ferroviária
Gargalos sobre acessibilidade das regiões produtoras aos portos e terminais portuários foram debatidos no Bahia Export
A deficiência na infraestrutura de transportes da Bahia tem se consolidado como um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico do estado. Problemas em rodovias, ausência de ferrovias operantes e dificuldades de acesso a portos afetam diretamente o escoamento da produção e elevam os custos logísticos. O tema foi abordado nesta quinta-feira (9) durante o primeiro dia do Fórum Bahia Export, realizado no auditório da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), pelo Grupo Brasil Export.
De acordo com Roberto Oliva, Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o problema é estrutural e envolve a falta do essencial. “O discurso é o básico que se precisa — e nós não temos o básico”, afirmou. Segundo ele, a Bahia enfrenta uma situação crítica ao não possuir sequer uma malha ferroviária funcional. “A gente não tem hoje no Estado da Bahia um quilômetro de ferrovia funcionando”, destacou.
Mesmo sendo um estado com grande potencial econômico, com destaque para produção mineral, agrícola e florestal, a falta de infraestrutura limita seu crescimento. “É um estado riquíssimo, mas falta o básico, que são rodovias e ferrovias. Nós éramos o quarto PIB do Brasil, hoje somos o sétimo. Se não abrir os olhos, vamos passar a ser o oitavo. Essa deficiência na matriz da Bahia tem causado prejuízos incalculáveis”, disse.

Oliva alerta para falta de malha ferroviária no estado. Foto: Icaro Cerqueira
Bahia é o pior estado em infra, diz empresário
Oliva destacou os importantes investimentos realizados no setor portuário, a partir dos arrendamentos nos portos baianos, e também dos terminais privados. Para o empresário, o maior desafio da Bahia é resolver seus gargalos logísticos.
“O problema da acessibilidade é um problema nacional, todos nós aqui sabemos, mas na Bahia eu diria, infelizmente, que é o pior estado brasileiro em termos de infraestrutura, seja a rodoviária, seja de infraestrutura ferroviária. Os portos são uma passagem, é uma passagem, um facilitador da economia nacional. Para essas cargas chegarem, quanto mais ágil é mais barato, e para isso é preciso ter uma melhor acessibilidade”, reforçou.
Entre os problemas citados por Oliva tem a ver com falta de investimentos em rodovias importantes que conectam regiões produtoras do Oeste do estado até os portos e terminais portuários.
“Nós temos uma estrada da década de 70 quando naquela época nem tínhamos carreta. Agora temos caminhões bitrem e a estrada é a mesma. Não tem previsibilidade nenhuma, quando tempo de viagem se leva, porque se tiver um acidente, a estrada fica de seis a sete horas paralisada”, comentou.
O painel contou com as participações de José Demétrius Moura, Diretor de Relações com o Mercado da Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA); Helano Pereira Gomes, Vice-Presidente Executivo da Ultracargo; e Roberta Carvalhal, Diretora Jurídica e de Relações Institucionais da Wilson Sons. A moderação foi da jornalista Núria Bianco, Diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export.