Bahia Export
Baía de Todos-os-Santos enfrenta desafios para destravar potencial
Avaliação é de Waldeck Ornelas, que aponta a necessidade urgente de melhor aproveitamento da Baía como eixo estratégico nacional
O papel da Baía de Todos – os – Santos como um hub estratégico para o cenário econômico baiano foi debatido nesta sexta-feira (10) durante o Fórum Bahia Export, realizado na sede da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), pelo Grupo Brasil Export. Painelistas avaliaram projetos a longo prazo e integração logística como pontos que vão reforçar o papel estratégico dos portos baianos.
A dependência quase exclusiva do transporte rodoviário e a falta de integração logística continuam sendo entraves para o desenvolvimento econômico da Bahia. A avaliação é de Waldeck Ornelas, que aponta a necessidade urgente de diversificação da matriz de transporte e melhor aproveitamento da Baía de Todos-os-Santos como eixo estratégico nacional.
“Para que vocês possam ter uma ideia, a Bahia é o segundo maior produtor de algodão do país, com a participação de 20%. E 95% da nossa produção se encaminhava para o Porto de Sanos, onerando os produtores. No ano passado, um quarto dessa produção passou a sair pelo Tecon Salvador, único terminal de contêineres que temos na Baía de Todos os Santos e com isso começou-se a inverter esse fluxo. O potencial incrível ou uma demanda incrível que ainda não está sendo atendida. Nós estamos sendo guiados pela demanda, não pela oferta”, classificou.
Segundo Ornelas, o principal corredor logístico do estado, a BR-242, apresenta sinais de saturação após décadas de uso intenso. A rodovia concentra não apenas o escoamento da produção agrícola do Oeste baiano e da região do Matopiba, mas também o fluxo turístico com destino à Chapada Diamantina.
“É uma via construída há cerca de 70 anos, com fluxo intensivo de caminhões, automóveis e ônibus. Hoje, ela é praticamente o único canal de escoamento da produção”, destaca.
A Baía de Todos os Santos, com extensa faixa navegável e profundidade elevada, oferece vantagens competitivas relevantes, como operação portuária contínua ao longo do ano.
“A Baía não foi enxergada como essa condição essencial de se tornar um grande HubPort internacional e um grande porto para a logística nacional. Nós temos uma posição privilegiada em relação ao Atlântico Sul e esse é o desafio que temos pela frente de integrar isto à Bahia”, pontuou.
Longo prazo
O Diretor Comercial da Wilson Sons, Guilherme Nogueira Dutra, avaliou que uma possível solução passa necessariamente por planejamento estratégico de longo prazo. Ele destaca que, embora comparações com polos logísticos globais, como Singapura, possam parecer ousadas, elas servem como inspiração para pensar o futuro da infraestrutura no estado.
“Diversificar a matriz de transporte e aumentar as conexões dos portos da Baía de Todos os Santos demanda um plano de longo prazo, e que não será entregue por quem começou este plano. Então, no meu ponto de vista, essa consciência é o primeiro passo. O imediatismo está evitando com que a gente consiga trazer esse legado e, futuramente, ter uma imagem semelhante a Singapura”, analisou.
Na avaliação do executivo, o primeiro passo para a transformação é a conscientização sobre a complexidade do desafio. Soluções isoladas ou de curto prazo tendem a ser insuficientes diante de problemas estruturais históricos. “Se não houver um plano integrado que tenha a eficiência logística como eixo central, dificilmente teremos avanços consistentes”, disse.
O painel contou com a participação de Josias Cruz, Presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Luís Eduardo Magalhães (ACICLEM). A moderação foi da Secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda da Prefeitura de Salvador (SEMDEC), Mila Paes.