Bahia Export
Banco do Nordeste combina crédito e câmbio para ampliar competitividade
Superintendente estadual do BNB na Bahia aponta protagonismo no financiamento e expansão das linhas voltadas ao comércio exterior
A atuação do Banco do Nordeste (BNB) como principal agente de financiamento de longo prazo e indutor de competitividade na região foi o eixo da apresentação de Pedro Lima Neto, superintendente estadual da instituição na Bahia, durante o primeiro dia do Bahia Export, em Salvador.
Ao contextualizar o papel do banco, que soma 73 anos de atuação, ele destacou o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) como principal ferramenta para reduzir assimetrias regionais. Segundo explicou, o fundo oferece condições diferenciadas de crédito para estimular investimentos produtivos no Nordeste, com taxas mais competitivas, prazos longos e possibilidade de financiar até a totalidade dos projetos.
“A gente administra o FNE, que é um fundo específico voltado para amenizar a diferença entre os estados da nossa área de atuação e os do Sudeste”, afirmou. De acordo com ele, o objetivo é tornar empresas da região mais competitivas, incentivando a instalação e a expansão de atividades industriais, comerciais, de serviços e do agronegócio.
Mesmo com uma rede de 59 agências na Bahia, Lima Neto ressaltou o peso do banco na economia estadual. Mais de 50% dos financiamentos de longo prazo estruturantes no estado passam pelo BNB, percentual que supera 60% nos setores de comércio, indústria e serviços. No agronegócio, a participação gira em torno de 48%. Ele também destacou o protagonismo no financiamento de projetos de energia, com aplicações que, nos últimos anos, superaram a faixa de R$ 19 bilhões a R$ 20 bilhões.
Ao longo da apresentação, reforçou o papel da instituição como fomentadora de grandes projetos de infraestrutura, avaliação que também foi mencionada pelo diretor-geral da Rede BE News, Leopoldo Figueiredo. Lima Neto citou a atuação do banco em ativos como aeroportos, além das discussões para financiamento de projetos estruturantes, como o Porto Sul, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a ponte Salvador-Itaparica. Segundo ele, mesmo quando não lidera integralmente o funding, o banco participa para reduzir o custo financeiro das operações.
Comércio exterior
No campo do comércio exterior, o superintendente apresentou o portfólio de instrumentos voltados ao ambiente de câmbio, que inclui linhas como ACC, NCE/CCE, carta de crédito, Finimp e o programa Nordeste Exportação (NExport). A expectativa é que o banco movimente cerca de R$ 1,4 bilhão nesse segmento em 2026.
O NExport foi destacado como uma das principais ferramentas para apoio direto às exportações. O programa financia até 100% das necessidades de crédito de empresas exportadoras, especialmente industriais e agroindustriais, incluindo capital de giro, produção e comercialização. Lima Neto observou que há maior concentração de operações no setor industrial, embora a linha esteja disponível para empresas de todos os portes.
Ele explicou que o modelo exige vinculação direta com a atividade exportadora. “Você só pode pagar esse produto no vencimento com recursos oriundos de exportação”, disse, ao destacar que o instrumento é voltado para empresas com operação internacional ativa ou planejada.
Sobre o acesso ao crédito, avaliou que o processo é estruturado para ser simples, com maior exigência na etapa cadastral. Após essa fase, segundo ele, o financiamento é liberado com base na necessidade de capital de giro vinculada à operação de exportação.
Para este ano, a expectativa do BNB é de que a Bahia ultrapasse R$ 400 milhões em operações via NExport, o que deve representar entre 20% e 25% do desempenho total do banco nessa linha. Segundo Lima Neto, o estado mantém posição central dentro da estratégia da instituição, por concentrar a maior economia da área de atuação do banco.