BE News
BE Academy nasce para unir conhecimento técnico e prática no setor
Projeto reúne diretores de agências reguladoras e especialistas em encontros híbrido
A BE Academy foi tema do Programa Porto News, comandado pelo jornalista Zerri Torquato, na Santa Cecília FM, nesta sexta-feira (26). Participaram da conversa o diretor executivo do projeto, Hudson Carvalho, o diretor da ANTT e coordenador acadêmico da BE Academy, Felipe Queiroz, e o diretor geral da Rede BE News, Leopoldo Figueiredo.
“A BE Academy nasce de um incômodo meu e do Fabrício Julião, CEO do Grupo Brasil Export. Desde o antigo Santos Export, que foi evoluindo para a estrutura que temos hoje, fomos acumulando boas práticas ao longo dos anos, aprendendo nos encontros e fóruns aqui dentro do Brasil e também nas missões internacionais. O que nos incomodava era não conseguir transformar essas boas práticas em conhecimento consumível”, afirmou o diretor.
Segundo ele, o objetivo desde o início era levar essa experiência a outros públicos. “Nosso desejo era transformar tudo aquilo que aprendemos em cursos, em treinamentos de alto nível, que levassem essa vivência para a comunidade portuária, aeroportuária e para toda a infraestrutura que atendemos”, explicou.
Hudson destacou que, ao colocar o projeto de pé, a equipe percebeu que transmitir conhecimento não bastava.
“Vimos que só levar o conhecimento não era suficiente. Queríamos levar também a oportunidade de conexão, de networking, para que os participantes pudessem se relacionar com colegas e docentes. Por isso há um cuidado especial na formação dos cursos”, disse. “A outra preocupação era garantir a execução prática daquilo que ensinamos, para que cada participante pudesse aplicar o que aprendeu”, completou.
Sobre a construção do projeto, o diretor executivo reconheceu o papel de outros nomes envolvidos. “Tivemos a contribuição valorosa do Leopoldo, que acompanha essa história desde o início e abriu as portas para as primeiras conversas com o Fabrício. Depois veio a conexão com o Felipe Queiroz, na coordenação acadêmica, e com o Dr. Celso Peel, na coordenação científica. Isso nos levou também a uma parceria com a Academia Brasileira de Infraestrutura, a ABDInfra, com quem já temos iniciativas pensadas”, afirmou.
Carvalho ainda adiantou uma nova frente de atuação. “Em paralelo, estamos tratando com o Dr. Peel o PL 733, um curso com estrutura parecida, que vai trazer de forma prática e condensada as mudanças que esperamos para o mundo do trabalho portuário nas próximas semanas ou meses”, revelou. Ao resumir a proposta da BE Academy, sintetizou: “Conhecimento, condição e possibilidade, oportunidade de networking e vivência prática. É isso que norteia nossos cursos”, ressaltou.
PONTES
Felipe Queiroz apontou a lacuna que motivou a criação do primeiro curso da BE Academy. “Faltam pontes que conectem as diversas perspectivas dentro da infraestrutura, que vai muito além do setor portuário e logístico. Estamos falando de projetos complexos e desafiadores do ponto de vista de engenharia, como o túnel entre Santos e Guarujá, e a complexidade se repete nos aspectos regulatório, tecnológico e institucional”, afirmou.
Para ilustrar o problema, Queiroz descreveu o desencontro entre investidores e reguladores. Para ele, há diversos atores com perspectivas diferentes atuando para um bem comum, mas a falta de pontes entre essas visões dificulta o diálogo. O investidor olha o VPL, a taxa interna de retorno, o payback do projeto. Do outro lado do balcão, o regulador está mais preocupado com a forma, a conformidade e a governança, e quer viabilizar o projeto, mas sem maximizar uma taxa de retorno.
Foi esse cenário, segundo Queiroz, que levou ao desenho do curso executivo de regulação. “A ideia é trazer o aspecto acadêmico e teórico da regulação com uma visão aplicada, reunindo diretores e conselheiros de diferentes agências: a Agência Nacional de Transportes Terrestres, que represento, a ANAC, com o diretor-geral Frederico Dias, além de representantes dos setores portuário, aquaviário, de mineração, telecomunicações e energia elétrica”, detalhou.
O coordenador acadêmico ponderou sobre a proposta pedagógica do curso. “O público é formado, prioritariamente, por gestores seniores, e o corpo docente, por serem diretores, também aprende nessa troca. É um caminho de mão dupla. Pensamos o curso com uma base teórica sólida, mas aplicada ao dia a dia de quem faz a regulação, para construir esse conhecimento junto com os alunos”, disse.
Queiroz também detalhou o formato dos encontros. “O curso é estruturado em módulos híbridos, com aulas presenciais na sede do Brasil Export, em Brasília, e transmissão online simultânea para quem não puder participar pessoalmente. São seis encontros, um deles com a participação do secretário de Consensualismo, Nicola Khoury, trazendo a perspectiva mais recente sobre o tema. Por fim, há um encontro presencial em Washington, com o Banco Mundial e o BID, parceiros que vão trazer a visão global e continental da regulação na América Latina e Caribe”, afirmou.
IMPRENSA
Leopoldo Figueiredo também avaliou o lançamento do projeto. “A Rede BE News acompanha esse processo porque, antes de qualquer coisa, é uma grande notícia. O debate sobre qualificação profissional no mercado portuário é essencial, dada a complexidade do setor: hoje não se sustenta essa atividade sem gestores altamente qualificados coordenando as operações. No dia a dia, nos deparamos exatamente com essa necessidade. Ter uma instituição que prepare esses profissionais para melhor executar a função portuária é uma excelente notícia para o mercado e para o país”, afirmou.
Figueiredo finalizou relacionando o projeto ao comércio exterior brasileiro. “Não podemos perder de vista que estamos falando da atividade econômica que sustenta a economia brasileira. Com profissionais competentes e uma logística de custo reduzido, o setor ganha competitividade e melhora suas margens de lucratividade”, concluiu.