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BNDES e banco chinês criam fundo de US$ 1 bi para investimentos no Brasil
Parceria com o Cexim prevê aportes em transição energética, infraestrutura e inovação, com operações previstas para começar em 2026
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Export-Import Bank of China (Cexim) estão estruturando um fundo bilateral de investimentos voltado ao financiamento de projetos no Brasil. O novo mecanismo, que deverá atingir até US$ 1 bilhão em aportes, tem previsão de início das operações em 2026 e será o primeiro fundo conjunto entre instituições financeiras de fomento dos dois países.
Segundo o BNDES, o fundo será composto por cerca de US$ 600 milhões provenientes do Cexim e aproximadamente US$ 400 milhões do banco brasileiro. Os recursos serão aplicados por meio do mercado de capitais, na compra de títulos de dívida e participações societárias em empresas e projetos nacionais.
O objetivo, de acordo com o BNDES, é promover o desenvolvimento sustentável bilateral entre Brasil e China, com foco em setores como transição energética, infraestrutura, bioeconomia, mineração, agricultura, economia digital e inteligência artificial. O banco também destaca que o instrumento contribuirá para o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países e para a ampliação da cooperação em áreas de interesse comum.
O anúncio foi feito pelo diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, durante a abertura do II Seminário Internacional de Estudos da China Contemporânea, realizado em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O fundo é resultado de um Termo de Compromisso e Declaração de Intenção de Cooperação assinado em 17 de setembro entre o BNDES e o Cexim.
“A gente assinou o acordo de cooperação de fazer um fundo de até US$ 1 bilhão. Esse fundo vai ser estruturado para financiar investimentos em mercado de capitais no Brasil. Então seria um fundo de investimento China-Brasil com até US$ 1 bilhão no total para investimentos aqui no Brasil”, afirmou Barbosa.
O diretor também destacou que o instrumento representa um avanço nas relações financeiras entre os dois países. “Essa nova parceria entre as duas instituições fortalecerá a relação comercial e econômica entre Brasil e China”, completou.
De acordo com fontes do BNDES, a prioridade deve ser dada a projetos dos setores de mineração e infraestrutura, embora outras áreas estratégicas também possam ser contempladas. O banco informou ainda que os aportes deverão ser feitos majoritariamente em reais, o que reforça o caráter nacional dos investimentos e a integração entre as duas economias.
O Export-Import Bank of China é uma instituição financeira de políticas públicas, de propriedade estatal e vinculada diretamente ao Conselho de Estado da China. Sua atuação é voltada a apoiar o comércio exterior, os investimentos e a cooperação econômica internacional do país asiático, com foco na promoção do desenvolvimento sustentável e na internacionalização das empresas chinesas.
O BNDES destacou que o novo fundo bilateral se soma aos esforços do banco em ampliar o acesso do Brasil a fontes internacionais de financiamento voltadas a projetos de impacto ambiental e social positivo, em consonância com a agenda de transição energética e inovação tecnológica.