Nacional
BNDES e Embrapa firmam parceria para impulsionar inovação agropecuária
Aliança prevê investimentos em restauração ecológica, bioeconomia, agricultura familiar e enfrentamento de mudanças climáticas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) formalizaram na quarta-feira (7) uma parceria estratégica voltada à inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar no Brasil. O protocolo de intenções foi assinado durante a solenidade de comemoração pelos 52 anos da Embrapa, em Brasília (DF), com a presença do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A cooperação entre as instituições abrange áreas como restauração florestal, desenvolvimento de sementes adaptadas às mudanças climáticas, bioeconomia, cadeias produtivas sustentáveis e inovação em máquinas e implementos agrícolas. Também estão previstas ações para fortalecer a sustentabilidade financeira e institucional da Embrapa, no contexto do Programa de Governança e Modernização das Empresas Estatais.
“Estamos construindo uma parceria com grande potencial de impacto. O BNDES vai contribuir com recursos e inteligência para que a Embrapa amplie sua capacidade de gerar inovação, apoiar a agricultura familiar e liderar a resposta do Brasil aos desafios climáticos”, afirmou Mercadante. Ele destacou a importância de garantir protagonismo e estrutura à estatal: “Viemos aqui para quebrar o pires e pensar o futuro da Embrapa”.

A ideia é que a parceria com o BNDES permita à Embrapa ampliar a capacidade de gerar inovação, apoiar a agricultura familiar e liderar a resposta do Brasil aos desafios climáticos. Foto: Divulgação/BNDES
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou que a aliança representa um avanço estratégico para o setor agropecuário. “É fundamental para que possamos atender aos novos desafios, como o reflorestamento na Amazônia, o recaatingamento no Nordeste, e a inovação voltada à agricultura familiar. Também permitirá um novo modelo de captação de recursos e o fortalecimento do ecossistema de inovação”, disse.
Entre os projetos previstos estão a criação de um fundo conjunto de investimentos em pesquisa e inovação, o desenvolvimento de bioinsumos, e o fortalecimento de modelos produtivos resilientes nos biomas Amazônia e Caatinga. O protocolo também inclui estudos para valorização do patrimônio da Embrapa e busca por novas fontes de financiamento.
O acordo foi assinado por Mercadante; Massruhá; a diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler; a diretora de Administração da estatal, Selma Beltrão; e o presidente do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Carlos Augustin.
A parceria pretende ainda fomentar a interlocução entre Estado e mercado para promover uma agricultura mais sustentável, inclusiva e inovadora, com atenção especial à geração de renda no campo e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Restauração
Durante a cerimônia, o presidente do BNDES reforçou que a Embrapa terá papel central em ações de restauração ecológica e enfrentamento a eventos climáticos extremos. Desde 2023, o banco já destinou mais de R$ 650 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos de restauração ambiental.
“Estamos atuando na restauração de 9,2 milhões de hectares, uma área equivalente ao território de Portugal. A Embrapa precisa estar nesse processo, na definição de espécies e nas adequações técnicas”, exemplificou Mercadante. Ele também citou a tragédia climática no Rio Grande do Sul em 2024 e a nova seca que atinge o Estado este ano, comprometendo culturas como a soja. “Precisamos da Embrapa para garantir resiliência na produção e manter a pujança da agricultura gaúcha”, completou.