Mercosul
Brasil acelera articulação no Congresso para destravar acordo Mercosul–UE
Alckmin defende celeridade na ratificação do tratado e governo articula ofensiva diplomática na Europa para destravar impasses
O governo brasileiro intensificou a articulação política para acelerar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A avaliação do Palácio do Planalto é que uma tramitação rápida no Congresso Nacional pode ajudar a destravar resistências também do lado europeu e contribuir para a entrada em vigor do tratado.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil seguirá empenhado na aprovação interna do acordo, mesmo após o Parlamento Europeu aprovar, por maioria simples, um pedido de questionamento jurídico sobre aspectos da tramitação do texto movimento que pode atrasar a decisão final na União Europeia.
“Isso não depende de nós. Se dependesse, já estava tudo bem acelerado. Mas vamos contribuir. É um percalço que vai ser superado. Então, vamos contribuir para dar condições para que a Comissão Europeia possa agir de maneira mais rápida”, disse Alckmin.
Segundo o ministro, o acordo chega em um momento estratégico para o cenário internacional, marcado por instabilidade geopolítica e avanço de políticas protecionistas. Para ele, o tratado representa um sinal de fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre blocos econômicos.
“É o maior acordo do mundo entre blocos e vem no momento que o mundo precisa. Pelo diálogo e pelo entendimento, você pode abrir mercados, fortalecer o multilateralismo, estimular investimentos recíprocos e gerar ganhos em sustentabilidade”, afirmou.
No Congresso Nacional, a sinalização também é de prioridade. O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad, avaliou que há um ambiente favorável para acelerar a tramitação tanto no Brasil quanto nos demais países do Mercosul.
“Há uma harmonia no sentido de dar celeridade a toda essa tramitação, junto aos demais parceiros do bloco. Vamos aproveitar esse ambiente e fazer com que ele possa tramitar o mais rápido possível”, declarou.
Paralelamente, o governo brasileiro prepara uma ofensiva diplomática e política na Europa. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso Nacional articulam uma missão oficial ao continente para ampliar a pressão política pela ratificação do acordo.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou que o tema será tratado como prioridade na retomada dos trabalhos do Legislativo após o recesso parlamentar. “É uma agenda do Parlamento. Estamos organizando uma missão com o presidente do Congresso. É uma maneira educada de pressionar, dizendo: ‘Nós fizemos o nosso dever de casa, falta agora o Parlamento Europeu fazer’”, afirmou.
Dados da Apex mostram que a União Europeia é atualmente o segundo maior destino das exportações brasileiras, com cerca de US$ 49,8 bilhões em vendas em 2025, atrás apenas da China. Um estudo da agência indica que o Brasil pode ampliar exportações em mais de 500 produtos com a retirada imediata de tarifas, em um mercado que movimenta quase US$ 44 bilhões por ano em importações europeias.
Considerado o maior acordo comercial já firmado entre blocos econômicos, o tratado Mercosul–União Europeia segue como uma das principais apostas do governo brasileiro para ampliar mercados, atrair investimentos e reforçar o multilateralismo em um cenário global marcado por tensões e protecionismo.