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Brasil consolida energia solar como segunda maior fonte elétrica

5 de April de 2025 às 9:47
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Geração própria lidera o avanço, com mais de 5 milhões de imóveis e 1,6 milhão de empregos verdes criados

O Brasil atingiu um novo marco na geração de energia solar, ultrapassando os 55 gigawatts (GW) de potência instalada operacional. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que também aponta a adição de 1,6 GW ao sistema apenas nos primeiros meses de 2025. Os números representam usinas e residências.

Com esse avanço, a energia solar se firma como a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, representando 22,2% de toda a capacidade instalada. A maior parte da produção vem da geração própria — sistemas instalados em telhados ou quintais —, que somam 37,6 GW distribuídos em cerca de cinco milhões de imóveis. Outros 17,6 GW são provenientes de grandes usinas conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Entre janeiro e março deste ano, mais de 147 mil novos sistemas solares foram instalados em todo o país, abastecendo aproximadamente 228,7 mil imóveis. Desde 2012, o setor acumula mais de R$ 251 bilhões em investimentos e gerou cerca de 1,6 milhão de empregos verdes. A arrecadação aos cofres públicos ultrapassou R$ 78 bilhões no período.

Além dos ganhos econômicos, a expansão da fonte solar evitou a emissão de cerca de 66,6 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²), reforçando seu papel no combate às mudanças climáticas.

A energia solar própria está presente em mais de 5,5 mil municípios e em todos os estados brasileiros. Minas Gerais lidera em número de imóveis com sistemas fotovoltaicos, com mais de 900 mil unidades. Em seguida, aparecem São Paulo (756 mil) e Rio Grande do Sul (468 mil).

As residências respondem por 69,2% do total de unidades consumidoras com geração própria, seguidas pelos comércios (18,4%) e propriedades rurais (9,9%).

Desafios à expansão

Apesar dos avanços, a Absolar alerta para entraves que limitam um crescimento ainda maior da energia solar no país. A associação denuncia cancelamentos de projetos por distribuidoras, atrasos na conexão de pequenos sistemas e ausência de ressarcimento a empreendedores pelos cortes de geração renovável.

A entidade também aponta como problemática a recusa de conexão de novos sistemas com base em possíveis inversões de fluxo de potência, sem a apresentação de estudos técnicos que comprovem riscos à rede elétrica. No caso das grandes usinas solares, a falta de mecanismos de compensação previstos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) amplia a insegurança jurídica e afasta investimentos.

A Absolar defende a aprovação do projeto de lei que institui o Programa Renda Básica Energética (Rebe) e atualiza o marco legal da micro e minigeração distribuída, a Lei 14.300/2022. Para a entidade, é preciso garantir previsibilidade regulatória e incentivo à produção limpa e descentralizada de energia no Brasil.

 

 

 

 

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