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Brasil pode atrair investimentos em meio a instabilidade nos EUA
No Senado, presidente do BC destaca que cenário de incertezas com Trump pode favorecer economias com menor exposição ao país norte-americano
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil pode se beneficiar economicamente frente à política fiscal e tarifária adotada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. A declaração foi feita na terça-feira (22), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em Brasília (DF).
Para Galípolo, as análises do mercado sobre os impactos das decisões tomadas pelo gestor do país norte-americano variaram significativamente nos últimos meses. No que chamou de três fases de interpretação, a autoridade contou que as previsões começaram de maneira otimista, voltadas para a redução de impostos e de regulamentações sobre empresas.
Entretanto, com o início do segundo mandato de Trump em 2025, os agentes financeiros entraram em alerta para a possibilidade de o impacto tarifário posto em vigor pelos estadunidenses produzir algum tipo de desaceleração na economia do país e, por consequência, devido ao tamanho de sua influência, uma desaceleração na economia global.
“Esse cenário foi ganhando força ao longo deste primeiro trimestre, o que sinalizou já uma ideia de um dólar mais fraco e uma atividade econômica mais fraca nos Estados Unidos”, observou.
A partir desse panorama, Galípolo disse ser possível que os investidores busquem se proteger com ativos mais líquidos e que ofereçam menos risco, o que seria desafiador para economias emergentes, se não fosse a atual condição dos Estados Unidos.
“Historicamente, quando você tem um cenário de aversão de risco, o que você costuma fazer é correr para o dólar ou para títulos soberanos norte-americanos. Como, desta vez, o epicentro da crise está vindo da própria economia norte-americana, é perceptível, entre os agentes econômicos, uma dúvida sobre para onde se deve procurar proteção no momento”, explicou, pontuando essa situação como um dos fatores que têm impulsionado a arbitragem entre outras moedas, como o preço do ouro, que vem sendo valorizado e alcançando recordes.
Diante do que categorizou como “incertezas tarifárias”, Galípolo apontou que a projeção, na visão dos mercados, é uma diminuição dos indicadores internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, após a realização de novos acordos entre os países, “essa desaceleração vai se esvaindo, e você vai caminhando para a trajetória que já era mais ou menos aguardada”.
Conforme detalhou a autoridade, por se tratar de processos que variam de acordo com as interferências que acontecem no mundo, é comum que os especialistas lidem também com outras circunstâncias.
Mercado interno
Nas novas oportunidades de negócios, o Brasil pode se beneficiar pela diversificação comercial e pela solidez do mercado interno. Diferente de economias como a do México e Vietnã, que dependem mais da economia norte-americana, o país está menos suscetível aos efeitos da guerra tarifária, criando um cenário mais favorável para investimentos.
“Quando você é um país emergente, geralmente os investidores estão olhando como pares. Então, você vai ser comparado com esses pares, e é muito importante entender se você vai ser um polo de atração de investimentos ou de retirada e fuga de capitais”.