Bahia Export
Brasil precisa avançar em tecnologia para explorar terras raras
Bahia tem potencial para liderar setor no Brasil, mas precisa avançar em tecnologia em até cinco anos para não perder espaço global
Durante painel realizado no Fórum Bahia Export, nesta quinta-feira (9), em Salvador, o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, fez um alerta ao setor produtivo: a Bahia tem potencial para se tornar protagonista no mercado global de terras raras, mas precisa avançar em tecnologia e industrialização para não desperdiçar a oportunidade.
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos metálicos relativamente abundantes, com valor estratégico na aplicação em tecnologias de ponta, como inteligência artificial, robótica, computação avançada e veículos autônomos.
O principal desafio, de acordo com o executivo, não é a disponibilidade dos recursos no estado, mas a falta de domínio tecnológico para processamento. Atualmente, a China concentra a maior parte da cadeia produtiva, incluindo as etapas de separação e purificação, essenciais para uso industrial.
Para tentar mudar esse cenário, a CBPM negocia a instalação de três plantas industriais na Bahia em parceria com uma empresa estrangeira. A proposta é viabilizar a produção local de compostos como carbonatos e óxidos de terras raras, agregando valor e reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima bruta.

Foto: Divulgação
Requerimentos
O estado soma 1.169 requerimentos de pesquisa mineral voltados a terras raras, posicionando-se entre os principais polos do país, ao lado de Minas Gerais e Goiás. A região do Complexo de Jequié, no sudoeste baiano, concentra as áreas mais promissoras.
A própria CBPM entrou recentemente nesse movimento, com 61 requerimentos protocolados, os primeiros da história da companhia nesse segmento. Parte dessas áreas está em estágio avançado e localizada em depósitos de argila iônica, considerados mais viáveis para exploração.
Carballal também destacou o caráter estratégico e urgente do tema. Ao citar um caso da Bolívia, que retardou a exploração de lítio e agora enfrenta mudanças tecnológicas no setor de baterias, o presidente da CBPM reforçou que o tempo é um fator crítico. “Se a gente vacilar, nossos minerais vão continuar no solo”, afirmou.
A estimativa é de que a janela de oportunidade para viabilizar projetos no setor seja de quatro a cinco anos.
O avanço da cadeia de terras raras, segundo ele, terá impacto direto também em setores como logística e infraestrutura, temas centrais do evento. A expectativa é que o desenvolvimento desse mercado atraia novos investimentos industriais e gere emprego e renda no estado.