Brasil Export
Brasil precisa decidir se setor aéreo cresce ou encolhe, dizem autoridades
Em 2023, o Brasil possuía 153 localidades atendidas por transporte aéreo; em 2025 caiu para 135; painel debateu o cenário
O Brasil enfrenta uma escolha sobre o futuro do transporte aéreo. O país pode colocar o setor numa rota de crescimento sustentável ou seguir no movimento de encolhimento dos últimos dois anos. “Nós estamos num momento sobre seguir adiante com um conjunto de reformas regulatórias que deem segurança jurídica e atraiam novos atores para o mercado, ou se nós seguiremos no movimento dos últimos dois anos, em que as empresas começaram a enxugar a sua malha, diminuir a conectividade e a quantidade de localidades atendidas”, afirmou o Secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo.
Ele avaliou o cenário durante sua participação no painel “Estratégias para o desenvolvimento do transporte aéreo no Brasil”, exposto no Fórum Brasil Export, nesta quinta-feira (30), em Brasília.
O país que possui 153 localidades atendidas por transporte aéreo regular em 2023, caiu para 135 neste ano. Porém, o mercado de transporte aéreo transportou cerca de 118 milhões de passageiros em 2024, valor próximo ao de 2019.
Diante deste cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) prepara um conjunto de alterações normativas. A apresentação ao Poder Legislativo ocorre nas próximas semanas. As mudanças visam destravar gargalos estruturais do setor e colocar a aviação comercial numa rota de crescimento sustentado. O governo pretende aprovar a lei de cabotagem no Congresso Nacional, a medida permite que empresas estrangeiras operem em pernas domésticas e testem o mercado brasileiro. O Ministério ainda lança em novembro uma nova carteira pública de investimentos em aeroportos regionais.
“Não é responsabilidade do ministério reduzir preço de passagem. Mas é trabalho definir uma política regulatória que dê segurança jurídica às empresas aéreas e, se possível, atraia novos competidores para o mercado”, disse o secretário.
O órgão trabalha para permitir multiplicidade de modelos de negócios no mercado nacional. A estratégia busca alcançar diferentes perfis de consumidores, desde sensíveis a preço até consumidores com disposição a pagar por serviços adicionais, explicou Daniel.
O Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, defendeu a multiplicidade de produtos. As empresas aéreas lançaram uma quarta classe tarifária como resultado da competição com empresas low cost que entraram no mercado.
Essas empresas abriram rotas que não eram atendidas pelas empresas tradicionais, como Chile e Foz do Iguaçu, Santiago e Salvador. As empresas tradicionais criaram a quarta opção tarifária para competir.
O sócio-diretor da Abaeté Aviação, Tiago Tosto, alertou para os impactos na aviação regional. “Quando a gente libera um adicional de bagagem, de carga livre, a gente vai ter que abrir mão de combustível e vai ter que reabastecer essas aeronaves nos destinos remotos, que o combustível às vezes é três vezes mais caro”, disse Tosto.
Cada quilo colocado dentro de um avião numa base da empresa custa por volta de quatro a cinco reais. Num destino remoto, esse quilo de combustível pode custar até doze reais.
CRÍTICA
Já o CEO da Aeroportos do Brasil (ABR), Fábio Rogério Carvalho, criticou a construção de narrativas. A ABR representa 59 aeroportos federais concedidos, o que equivale a 93% dos passageiros transportados e 99% das cargas.
“Eu acredito que a gente tem sofrido, no país em vários aspectos, e na nossa indústria não é diferente, um desafio da narrativa versus verdade”, disse Carvalho. “A sociedade precisa entender que em cada escolha existe renúncia. Nós estamos escolhendo não ter as opções que estavam postas, nós estamos escolhendo ao mesmo tempo pagar mais caro daquilo que eu não posso escolher e afastar quem poderia me oferecer um serviço melhor e mais barato”, disse o CEO.