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Brasil teve atuação ‘tímida’ no comércio global de minerais críticos
Uma pesquisa feita por meio de um acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Mineração mostrou que, na cadeia global de minerais críticos da transição energética, a atuação do Brasil no comércio internacional, nas últimas 20 anos, foi muito ’tímida’. Segundo o estudo, isso reflete as dificuldades internas de uma produção mineral incerta.
A pesquisa mostrou, também, que a expansão dos investimentos no chamado capital físico – ativos tangíveis ou insumos criados pelo homem que são utilizados para sustentar a produção de bens e serviços -, e a retomada dos recursos financeiros investidos para a pesquisa geológica, nos últimos anos, em sintonia com as tendências mundiais, mostram o preparo do Brasil para um ciclo de expansão da produção.
Outro estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontou que o país tem grande potencial geológico para os minerais críticos, só que, até pouco tempo atrás, não havia conseguido materializar esse potencial em uma produção econômica robusta. Além disso, o Brasil estava longe do patamar de países como Austrália, China, África do Sul e Chile na questão dos minerais críticos.
Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. O Brasil é detentor de cerca de 10% das reservas mundiais desses minerais.
“Até 2040, a expectativa é que seja aumentada em 40% a demanda desses minerais utilizados para os carros elétricos, para as turbinas, para os equipamentos modernos da tecnologia da informação, mas, principalmente, para produzir todos componentes dos equipamentos para uma transição energética”, respondeu ao BE News o deputado federal Zé Silva (Solidariedade-MG), que é presidente da Frente Parlamentar da Mineração Sustentável.
Entre os anos 2000 e 2019, a cadeia produtiva da mineração brasileira oscilou entre 0,75% e 2% do Produto Interno Bruto, dependendo dos ciclos de expansão e retração das cotações das commodities minerais, especialmente do minério de ferro, que representa mais de dois terços do setor.
“Aprovar a Política Nacional de Minerais Críticos Estratégicos é a principal conquista para que o Brasil se consolide como um dos mais importantes países da transição energética e das mudanças climáticas. O Brasil vai se tornar competitivo, terá segurança jurídica, e vai garantir que a expectativa de investimentos do país se consolide. O projeto que cria a política nacional foi construído a partir de estudos científicos e também da demanda legítima dos setores econômico, da mineração, do produtivo, e também dos empreendedores”, concluiu Zé Silva, que se referiu ao projeto de lei de sua autoria (PL 2780/24), pauta que encontra-se pronta para a votação no plenário da Câmara dos Deputados.