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Aviação

Caça Gripen produzido no Brasil é apresentado em unidade da Embraer

Atualizado em: 26 de March de 2026 às 11:17
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Programa prevê 36 aeronaves, com parte da produção nacional e transferência de tecnologia para a indústria de defesa

A apresentação do primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil marcou, nesta quarta-feira (25), a entrada do país na etapa de produção local de aeronaves de combate dentro do programa conduzido pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a sueca Saab e a Embraer. A cerimônia ocorreu no Aeródromo Embraer, na unidade de Gavião Peixoto (SP), e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de autoridades civis e militares.

O evento incluiu o batismo da aeronave supersônica e a apresentação das instalações envolvidas no programa, que integra o projeto FX-2, responsável pelo reequipamento da aviação de caça da FAB. O programa prevê investimentos de R$ 28,5 bilhões entre 2014 e 2033, incluindo aquisição, produção, transferência de tecnologia e suporte logístico.

A aeronave apresentada faz parte de um total de 36 unidades contratadas, das quais 15 devem ser produzidas no Brasil, na planta da Embraer em Gavião Peixoto. A produção local decorre de um acordo firmado em 2013 com a Saab que inclui transferência de tecnologia e capacitação de profissionais brasileiros.

Durante a agenda, Lula não discursou na cerimônia, mas comentou o tema em publicação nas redes sociais. “Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou.

Segundo a FAB, o programa tem impacto direto na capacidade operacional da força aérea e na estrutura industrial do setor de defesa. A produção do caça no país está associada à formação de mão de obra especializada e à integração de empresas brasileiras à cadeia global de fornecimento aeronáutico.

De acordo com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, a apresentação da aeronave marca a transição da fase de desenvolvimento para a produção local. “Esse marco histórico, representado por esta aeronave, simboliza a transição do planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade. Mais do que isso, atesta o ineditismo do nosso Brasil na produção de caças supersônicos entre os países do Hemisfério Sul e da América Latina, consolidando a indústria nacional como referência continental na fabricação deste vetor de superioridade aérea”, afirmou.

O ministro da Defesa, José Múcio, destacou o impacto do projeto sobre a indústria nacional e a capacidade tecnológica associada à produção local. “Ao investir em defesa, nossa indústria registra um marco de amadurecimento e competência, permitindo ao Brasil se posicionar como o maior polo produtor da América Latina. Consolidará também nosso poder dissuasório, ampliando a capacidade de garantir a soberania nacional e a segurança regional”, disse.

Inovação e defesa

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo federal disponibilizou R$ 108 bilhões em financiamentos voltados à inovação e destacou o papel da indústria de defesa nesse contexto. “Quem domina tecnologia domina o futuro. A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial”, declarou.

O presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a estrutura instalada em Gavião Peixoto está preparada para atender futuras encomendas da aeronave, incluindo possíveis exportações. “Essa cooperação fortaleceu a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e abriu novas oportunidades internacionais. Esta planta de Gavião Peixoto está plenamente preparada para fabricar novos Gripens para outros países. Estamos fortemente engajados no sucesso do programa em futuras exportações, incluindo oportunidades na Colômbia e em outros mercados”, afirmou.

Segundo o presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, a produção do caça fora da Suécia ocorre pela primeira vez desde a fundação da empresa. “Essa é a primeira vez desde 1937, quando a Saab foi fundada, que um caça é feito fora da Suécia. Este momento representa muito mais do que a entrega de uma aeronave. Isso reflete uma parceria construída na confiança, ambição compartilhada e uma relação de longo prazo”, afirmou.

O programa inclui ainda o desenvolvimento de versões monoposto e biposto da aeronave, sistemas avançados de comunicação e guerra eletrônica, além de simuladores e estrutura de suporte logístico.

A linha de produção no Brasil teve início em 2023, também em Gavião Peixoto, e integra a estratégia de internalização de capacidades industriais no setor de defesa, com previsão de atender tanto a demanda da FAB quanto possíveis contratos internacionais.

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