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Agronegócio

Café vê avanço do protecionismo e pressão regulatória global

Atualizado em: 22 de May de 2026 às 9:40
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Seminário em Santos expõe preocupações do setor com legislação ambiental da União Europeia e tarifas dos Estados Unidos

As incertezas regulatórias provocadas pela iminente entrada em vigor da legislação antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês), prevista para o fim deste ano, e o cenário de imprevisibilidade criado pelas tarifas alfandegárias norte-americanas dominaram os debates da manhã desta quinta-feira (21), no encerramento do XXV Seminário Internacional do Café, no Santos Convention Center. Especialistas afirmaram que, embora o avanço do protecionismo global imponha novas barreiras comerciais, o setor cafeeiro brasileiro aparece entre os mais preparados para responder às exigências internacionais.

Mediador do painel “Regulação”, o CEO do Cecafé, Marcos Matos, destacou distorções da nova regra europeia, sobretudo pelo fato de a legislação não diferenciar florestas nativas de áreas plantadas. “Temos propriedades com florestas comerciais de eucalipto, por exemplo, o que já traz um risco de interpretação pela União Europeia. Além disso, o café solúvel ainda não entrou na lista de exceções da moratória, o que exige atenção”, afirmou.

O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Luís Billi, criticou o caráter unilateral da medida e afirmou que os europeus têm dificuldade para compreender a realidade da agricultura brasileira.

“Já falamos para eles sobre a dificuldade de implementação da EUDR. Aqui, temos nosso Código Florestal brasileiro, que é mais rígido. Para nós, ele é justo. Agora, vou exigir que só exportem para cá países que obedeçam a nossa regra? Isso é colonialismo”, disse.

Segundo Billi, o governo federal tem ajustado a comunicação com a União Europeia para demonstrar que o modelo agrícola brasileiro não pode ser comparado diretamente ao europeu. Apesar das críticas, ele afirmou que o Brasil está entre os países mais preparados para atender às novas exigências regulatórias.

O cenário de adaptação prática foi reforçado pelo gerente sênior de Relacionamento e Comércio de Café da Rainforest Alliance, Kevin Lardner. Segundo ele, o cruzamento de geodados avançou rapidamente e permitiu que 70% dos detentores de certificados da entidade no Brasil já estejam alinhados aos critérios da EUDR. “Nossa expectativa é que o percentual cresça”, afirmou.

O painel também abordou os impactos da política comercial dos Estados Unidos. O presidente e CEO da National Coffee Association of USA (NCA), Bill Murray, afirmou que o governo Donald Trump enxerga as tarifas de importação como instrumento central da política econômica.

Segundo ele, embora a Suprema Corte norte-americana tenha considerado ilegais as primeiras tarifas lineares de 50%, permanece em vigor uma taxa geral de 10%, válida até julho, enquanto o governo articula um novo pacote tributário.

“No futuro, estaremos em dificuldade por causa das tarifas, que atendem aos interesses do Trump. Não há garantia para o futuro”, advertiu Murray, ao comentar o ambiente de incerteza para o comércio global.

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