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Aviação

Cenipa investiga queda de avião que matou três em Belo Horizonte

Atualizado em: 5 de May de 2026 às 10:20
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Aeronave emitiu alerta de emergência após decolagem do Aeroporto da Pampulha e colidiu com prédio residencial

Três pessoas morreram na queda de um avião de pequeno porte que atingiu um prédio residencial no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte (MG), na tarde desta segunda-feira (4). O acidente, que deixou ainda dois feridos hospitalizados, passou a ser investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), responsável por apurar ocorrências desse tipo no país.

A aeronave decolou do Aeroporto da Pampulha às 12h16, com destino ao Campo de Marte, em São Paulo. Pouco depois da decolagem, o piloto chegou a emitir um alerta de emergência do tipo “mayday” à torre de controle, indicando uma situação grave a bordo. Em seguida, o avião perdeu altitude e colidiu contra a lateral de um edifício residencial de quatro andares, atingindo a estrutura na área da caixa de escada, entre o terceiro e o quarto pavimentos.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi acionado por volta das 12h25 e mobilizou equipes para o resgate, com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Defesa Civil. De acordo com a corporação, cinco pessoas estavam a bordo da aeronave no momento do acidente.

O piloto Wellington de Oliveira, de 34 anos, e o empresário e médico veterinário Fernando Moreira Souto, de 36 anos, morreram ainda no local da colisão. Fernando era filho do prefeito de Jequitinhonha (MG), Nilo Souto (PDT). O empresário Leonardo Berganholi, de 50 anos, chegou a ser socorrido com vida e encaminhado ao Hospital João XXIII, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. O óbito foi confirmado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) em boletim divulgado às 20h.

Outros dois ocupantes da aeronave — Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, filho de Leonardo, e Hemerson Cleiton Almeida Souto, de 53 anos — foram socorridos e permanecem internados. Segundo a Fhemig, ambos apresentam quadro clínico estável. Mais cedo, a fundação havia informado que, entre os três sobreviventes inicialmente resgatados, um deles estava em estado grave.

As equipes de resgate descreveram diferentes condições entre os feridos no momento do atendimento. Segundo o tenente Raul Souza, do Corpo de Bombeiros, duas vítimas estavam conscientes, apesar de apresentarem fraturas múltiplas nas pernas. Uma terceira vítima, no entanto, foi encontrada inconsciente, com dificuldade respiratória e suspeita de fratura na região torácica, tendo recebido oxigênio ainda no local antes de ser encaminhada ao hospital.

O ponto de impacto da aeronave no edifício foi determinante para evitar vítimas entre os moradores. De acordo com o oficial, o avião atingiu a caixa de escada do prédio, uma área comum e sem ocupação residencial permanente. “O avião bateu contra o prédio de quatro andares, na face entre o terceiro e o quarto andar, na caixa da escada. Se tivesse atingido nas laterais, poderia ter atingido alguma residência e seria pior porque os apartamentos estavam ocupados”, afirmou Souza em entrevista à Globonews.

Imagens registradas pela TV Globo e outras divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que o avião faz uma curva acentuada, perde altitude rapidamente e colide contra o edifício. Após o impacto, os destroços ficaram espalhados ao lado da estrutura, em uma área de estacionamento próxima ao prédio atingido.

A aeronave envolvida no acidente era um monomotor modelo EMB-721C Sertanejo, pertencente à empresa Inet Telecomunicações Ltda. Conforme dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião estava com o certificado de aeronavegabilidade válido até abril de 2027, indicando que, do ponto de vista documental, estava apto a operar.

O voo havia se iniciado em Teófilo Otoni (MG) e fez uma escala em Belo Horizonte para o desembarque de uma passageira antes de seguir viagem para São Paulo. As circunstâncias da emergência reportada pelo piloto e os fatores que levaram à perda de altitude passam a ser objeto de análise pelas autoridades aeronáuticas.

Investigação

Em nota, a FAB informou que investigadores do Cenipa iniciaram as ações de apuração, que incluem a coleta e confirmação de dados, a preservação de elementos, a verificação dos danos causados à aeronave e pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias para a investigação. Não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos.

A Polícia Civil de Minas Gerais também abriu procedimento para apurar as causas e circunstâncias do acidente. Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette, na capital mineira, onde passam por exames.

A morte de Fernando Moreira Souto levou a Prefeitura de Jequitinhonha a decretar luto oficial de três dias. Em nota, a administração municipal informou que as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro nos órgãos públicos e manifestou solidariedade aos familiares. Fernando era empresário, tinha formação em medicina veterinária e deixa esposa e dois filhos.

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