Centro-Oeste Export
Centro-Oeste ganha protagonismo na transição com minerais críticos
Região atrai investimentos bilionários e entra no radar global, mas ainda enfrenta gargalos logísticos para escoar a produção
O avanço da exploração de minerais críticos colocou o Centro-Oeste entre as regiões estratégicas para a transição energética no Brasil. Com reservas de terras raras, cobre, níquel, nióbio e fosfato, estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganham destaque nas cadeias globais de energia limpa, ao mesmo tempo em que enfrentam desafios para expandir a infraestrutura logística.
Esse cenário será um dos temas discutidos durante o Fórum Centro-Oeste Export 2026, promovido pelo Grupo Brasil Export nos dias 23 e 24 de julho, em Rio Verde (GO). O evento reunirá autoridades e especialistas para discutir o papel da mineração na transição energética, os gargalos logísticos no escoamento da produção e a integração com setores como biomassa, biocombustíveis e bioinsumos.
Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), Goiás concentra importantes empreendimentos de cobre, níquel e nióbio, além da única mina de terras raras em argilas iônicas fora da Ásia, em Minaçu. “Esses empreendimentos fornecem insumos essenciais para turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e redes de transmissão, conectando a mineração regional diretamente às cadeias globais de energia limpa”, destacou a agência, em nota técnica ao BE News.
Em 2025, a produção mineral do Centro-Oeste movimentou R$ 25,8 bilhões, cerca de 8% do total nacional, com crescimento de 8,8%. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) somou R$ 420,4 milhões, com destaque para Goiás.
Novos projetos reforçam o potencial da região, como o Projeto Carina, da Aclara Resources, em Nova Roma (GO), com previsão de US$ 780,9 milhões em investimentos até 2029. Nos últimos três anos, os aportes em minerais estratégicos chegaram a R$ 6,7 bilhões.
Apesar do avanço, a logística segue como principal entrave. Segundo a ANM, grande parte da produção ainda depende da integração entre rodovias e ferrovias para chegar aos portos. O escoamento do nióbio, por exemplo, utiliza as malhas Centro-Atlântica e Norte-Sul até Santos e Vitória, enquanto a expansão da Malha Oeste é considerada estratégica para ampliar a competitividade.
Em Mato Grosso do Sul, o Maciço do Urucum, em Corumbá, concentra grandes reservas de manganês e ferro, com produção próxima de 15 milhões de toneladas por ano, voltada principalmente à exportação.
Paralelamente, o crescimento de biorrefinarias, biometano e bioinsumos amplia a integração entre mineração, agroindústria e energia. Projetos como o da Inpasa, em Goiás, e iniciativas da Embrapa apontam para novas oportunidades.
Para a ANM, o desafio vai além da extração. “O desafio é integrar infraestrutura ferroviária, geração de energia, mineração e agroenergia para formar cadeias produtivas regionais cada vez mais eficientes, fortalecendo o papel do Centro-Oeste na transição energética brasileira”, destacou a agência.
O Brasil concentra 94,4% da produção mundial de nióbio e possui participação relevante em terras raras, grafita, níquel e cobre. O desafio, porém, já não está apenas na extração, mas no desenvolvimento tecnológico capaz de agregar valor à produção nacional, especialmente no processamento de terras raras.