Nacional
Centronave alerta para desafios na transição da navegação de longo curso
A criação do Comitê Interministerial para o Transporte Marítimo Sustentável é vista com bons olhos pelo setor, mas também acende alertas sobre os obstáculos técnicos e operacionais para uma transição eficiente. Para Cláudio Loureiro, diretor executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), o prazo estipulado para adaptação pode ser desafiador para muitos países, sobretudo os mais distantes dos principais mercados consumidores. Ele destaca que a taxação prevista pelo novo sistema da Organização Marítima Internacional (IMO) é proporcional à distância navegada, o que coloca o Brasil em desvantagem competitiva.
“Embora, filosoficamente, seja muito importante a diminuição e a eventual eliminação da emissão de gases de efeito estufa, isso deve ser feito de forma gradual, para se adaptar à frota mundial”, observou Loureiro.
Na logística nacional, ele lembra que já estão em curso testes com uso de biodiesel na cabotagem. “O biodiesel é um combustível ‘made in Brazil’. Pode ser feito aqui com muita facilidade. (…) Mas é preciso haver uma estrutura de abastecimento. Não adianta termos a tecnologia, o combustível e o navio adaptado, mas não ter onde abastecer”.
O diretor do Centronave também chama atenção para outro entrave: o porte das embarcações. Segundo ele, há navios modernos que não conseguem acessar os portos brasileiros devido ao comprimento e às limitações de calado ou profundidade dos berços. “Temos, portanto, vários desafios de infraestrutura a serem enfrentados e discutidos nos próximos anos”, concluiu.

Segundo Cláudio Loureiro, há navios modernos que não conseguem acessar os portos brasileiros devido ao comprimento e às limitações de calado ou profundidade dos berços. Foto: Yousefe Sipp