Portos
Empresas chinesas demonstram interesse no Tecon Santos 10
Gigantes como China Merchants, Hutchison Ports, Cofco e CSCEC manifestaram interesse pelo megaterminal de contêineres avaliado em R$ 5,6 bilhões no Porto de Santos
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, encerrou a primeira parte de sua missão internacional à Ásia, onde se reuniu com empresários e autoridades da China, na madrugada desta quinta-feira (tarde de quinta-feira no horário de Pequim). E uma grande conclusão já está clara: as principais corporações chinesas têm um grande interesse na concessão do Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres e carga geral de R$ 5,6 bilhões a ser implantado no Porto de Santos (SP) e que terá condições de movimentar até 3,5 milhões de TEU (quando totalmente instalado). O ministro fez um balanço dessa parte inicial de sua viagem em entrevista exclusiva ao BE News no final da noite de ontem (manhã de quinta no Extremo Oriente), horas antes de partir para Singapura, onde sua agenda na Ásia será encerrada. Para Franca, ficou claro o interesse chinês pelas oportunidades de investimento no Brasil, tanto em aeroportos como nos portos. E esse “apetite” ficou evidente em relação ao Tecon Santos 10, mesmo que as regras para a sua concessão ainda estejam sendo definidas pelo Governo Federal – que promete ter seu edital pronto ainda este ano. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista com o ministro Tomé Franca.
Ministro, nesses primeiros dias da sua missão na Ásia, o sr. se reuniu com empresários e autoridades da China. E as principais pautas foram as oportunidades de investimento no setor de infraestrutura do Brasil. Quais os maiores interesses dos executivos e das autoridades chinesas? Quais os projetos brasileiros que mais chamaram a atenção?
Hoje (quinta-feira, dia 27), nós estamos iniciando o quarto dia da nossa missão. Já passamos da metade da nossa programação aqui na China. E hoje, vamos seguir para Singapura e, na sexta-feira, retornar para o Brasil. Nesses dias, temos falado muito que o Brasil tem vivido esse grande ciclo de investimentos em infraestrutura E isso tem ocorrido muito em função da parceria com o setor privado e com o capital estrangeiro. Enquanto Governo, enquanto Ministério de Portos e Aeroportos, eu posso preparar bons projetos, modelar bons projetos que gerem apetite no mercado, para que a gente possa ter competitividade durante o processo de concessão. E aqui, temos percebido o quanto o mundo está atento ao que está acontecendo no Brasil, a esse ciclo de investimentos do Brasil, aos projetos que nós estamos apresentando.
Qual o tipo de projeto que mais tem despertado o interesse dos empresários da China? As concessões de terminais ou aquisições de instalações já implantadas?
A missão tem como objetivo apresentar o que nós estamos estruturando para o final de 2026 e para o próximo ciclo, a partir de 2027. Estamos preparando projetos de longo prazo e queremos apresentar isso para o mundo. Nesses dias, na China, presenciei interesses diversos: de grandes construtoras que desejam participar da construção dessa infraestrutura, de operadores que operam terminais de contêiner, de granéis sólidos vegetais. Eles têm interesse em participar dos arrendamentos. Também apresentamos o programa Ampliar, que vai levar investimentos de infraestrutura para os aeroportos regionais. Nós já temos 13 aeroportos regionais do primeiro leilão. E há mais para ofertar. Aí existe um conjunto grande de investimentos em infraestrutura aeroportuária que vai atrair grandes construtoras. Ao apresentarmos essas possibilidades para o mundo, percebemos muito apetite para investimento no Brasil. Isso é um sinal de que estamos no caminho certo, que os projetos estão sendo bem modelados e que nós teremos a consolidação de um novo ciclo de investimentos em infraestrutura no nosso País.
Em relação a esse “apetite”, ministro, houve algum projeto que despertou um maior interesse?
Tivemos uma reação positiva em relação a diversos projetos. Nós nos reunimos aqui, por exemplo, com a CSCEC (Corporação Estatal de Engenharia de Construção da China) e a CCCC (Corporação de Construção e Comunicação da China), que são grandes construtores globais. A CCCC já está no consórcio, junto com a Mota-Engil, para a construção do túnel de Santos (Túnel Santos-Guarujá, sob o canal de navegação do porto). A CSCEC ficou interessada nos investimentos de infraestrutura, tanto no setor portuário quanto no setor aeroportuário. Por isso, nós apresentamos os projetos envolvidos no programa Ampliar, que podem alcançar até 31 aeroportos a partir desse ano. Também estivemos com a China Merchants, a Cofco, a Hutchison Ports, que são empresas importantes que atuam aqui, que têm sede aqui na China, em Xangai ou em Hong Kong. Falamos com eles sobre os modelos de arrendamento e as possibilidades de investimento em terminais de uso privado. A China Merchants já atua (no Brasil) com terminais de contêineres. Estão em Paranaguá (PR) e no Porto do Açu (RJ) e manifestaram interesse nos projetos de terminais de contêiner que nós temos pela frente, até com o Tecon Santos 10 (em Santos), desejando informações sobre esses projetos. A Cofco, que é um grupo do setor de alimentos, de processamento, com terminal de armazenamento agrícola, também teve muito interesse em terminais.
O sr. citou o interesse de empresas chinesas no Tecon Santos 10, hoje o maior projeto de concessão portuária do Ministério de Portos e Aeroportos. Houve um cobrança sobre o modelo de concessão e como será o leilão, aspectos que ainda estão sendo definidos?
Sem dúvida alguma, o mercado está atento a esse projeto, que é o maior projeto da nossa carteira e que está chegando, agora, em seus encaminhamentos finais. Tivemos interessados, sim, na modelagem que será adotada pelo poder concedente nesse processo. Aí as opiniões foram diversas, a depender de quem é o player e de como ele atua no mercado. Cada um teve interesse em uma modelagem específica. Com base nisso, o que a gente conclui é que, independente de como será o projeto, de como será modelado, nós teremos competição. Em nossas reuniões aqui na China, houve muito interesse no Tecon Santos 10.
Quais foram as posições apresentadas ao sr. sobre o Tecon Santos 10? Houve quem apoiasse e quem criticasse a proposta de restrições aos participantes do leilão?
Sim, tivemos posições bem diferentes, a depender de como a empresa atua no mercado. Se é um player que atua como armador, ele tem um posicionamento. Se não é um armador e quer entrar na operação do Porto de Santos, tem uma posição diferente. O que a gente pode concluir é que, no final, independentemente do modelo (de concessão) e do grau de restrição a serem adotados, nós teremos competição (no leilão do terminal). Há um grande interesse do mercado, porque esse projeto é, de fato, muito importante, tanto para o Porto de Santos como para a infraestrutura brasileira. E eu diria mais: ele é muito importante para a logística global, pela importância que o Porto de Santos tem, com conexões com o mundo inteiro. Então, qualquer que seja o modelo (de concessão) a ser adotado pelo Governo, teremos um grande competição pelo Tecon Santos 10.