Portos
CMA CGM vê Santos como polo de combustíveis renováveis para navios
Companhia diz que abastecimento pioneiro com etanol faz parte de um plano de longo prazo para ampliar o uso de energias de menor emissão de carbono no transporte marítimo
A operação inédita de abastecimento com etanol do porta-contêineres CMA CGM Iron no Porto de Santos integra uma estratégia mais ampla da armadora francesa para ampliar o uso de combustíveis de menor emissão de carbono e desenvolver a infraestrutura necessária à transição energética do transporte marítimo. Em material distribuído à imprensa, a companhia afirma que a iniciativa posiciona o Porto de Santos como um futuro polo de abastecimento de combustíveis marítimos de baixo carbono na América do Sul.
Segundo a empresa, o maior complexo portuário brasileiro reúne condições favoráveis para atender a essa demanda por concentrar grande volume de cargas, receber serviços das principais rotas internacionais e estar próximo de uma cadeia consolidada de produção de biocombustíveis. Na avaliação da armadora, esses fatores permitirão conectar a oferta brasileira de combustíveis renováveis ao mercado global de navegação.
A CMA CGM também relaciona essa estratégia à aquisição da Santos Brasil, concluída em 2025. De acordo com a companhia, o investimento faz parte de um planejamento de longo prazo voltado ao fortalecimento da infraestrutura portuária e ao desenvolvimento de soluções capazes de acompanhar a descarbonização do setor marítimo.
A iniciativa está alinhada às metas ambientais do grupo. A armadora pretende alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e prevê operar cerca de 200 navios porta-contêineres aptos a utilizar combustíveis de baixo carbono até 2031.
“Ao lado de nossos parceiros, demonstramos que a inovação pode sair do laboratório e chegar às operações marítimas reais. A certificação do nosso primeiro navio com motor tricombustível representa um importante marco tecnológico para a CMA CGM. Ela abre caminho para o uso mais amplo de combustíveis de menor intensidade de carbono e nos oferece novas alternativas para acelerar a descarbonização de nossas operações de transporte marítimo”, afirmou a vice-presidente executiva de Ativos e Operações da CMA CGM, Christine Cabau Woehrel.
A Copersucar, fornecedora do etanol utilizado na operação, também avalia que a iniciativa demonstra a capacidade da cadeia brasileira de atender ao mercado marítimo internacional.
“Esta operação demonstra a capacidade da Copersucar de conectar produção, logística e mercado para viabilizar soluções bioenergéticas em escala. Mais do que um abastecimento pioneiro, estamos construindo as condições para que o etanol passe a integrar, de forma competitiva, a matriz energética da navegação”, afirmou o presidente da empresa, Tomás Manzano.
Combustíveis alternativos
O abastecimento realizado no Porto de Santos reflete uma transformação que começa a ganhar escala na navegação internacional. Com a entrada em operação de embarcações preparadas para utilizar combustíveis alternativos, armadores e fornecedores ampliam os investimentos em soluções voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.
O CMA CGM Iron integra essa nova geração de navios. Entregue em 2025, ele é o primeiro de uma série de 12 porta-contêineres com capacidade para 13 mil TEU equipados com motor tricombustível certificado para operar com etanol, metanol e óleo diesel. Segundo a fabricante Everllence, trata-se do primeiro motor desse tipo certificado para uso comercial.
A Bunker One estima que atualmente cerca de 70 embarcações da frota mundial já estejam aptas a operar com metanol e, consequentemente, com etanol. A expectativa da empresa é de que outros 400 navios sejam entregues pelos estaleiros nos próximos anos preparados para utilizar combustíveis não fósseis.
“Essa operação pode ser considerada um marco na transição energética da indústria marítima em escala mundial, que começa a se adaptar para este modelo. Atualmente, aproximadamente 70 navios da frota global podem ser abastecidos com metanol e, consequentemente, com etanol. Mas a previsão é que, nos próximos anos, outras 400 embarcações saiam dos estaleiros aptas a navegar com um combustível não fóssil”, afirmou o CEO da Bunker One, Flavio Ribeiro.