Transportes
Codeba e DNIT avançam em acordo para retomar Hidrovia do S. Francisco
Operação-teste deverá anteceder retomada comercial do corredor, cuja primeira fase poderá movimentar até 5 milhões de toneladas por ano
A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) avançaram nas tratativas para a retomada da operação da Hidrovia do São Francisco. As instituições definiram as diretrizes para um Acordo de Cooperação que permitirá à autoridade portuária iniciar uma operação-teste comissionada no rio.
O acordo prevê a descentralização para a Codeba de competências atualmente atribuídas ao DNIT, criando as condições para que a companhia assuma a operação da hidrovia. A primeira fase será realizada em caráter experimental e, segundo a Codeba, sem cobrança de tarifas.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) também participará do processo, com a continuidade das discussões regulatórias sobre a operação e a definição de um eventual modelo de monetização da hidrovia após o período inicial de testes.
A retomada da hidrovia faz parte da estratégia do governo federal para recuperar o Rio São Francisco como corredor de transporte de cargas e ampliar a integração logística entre o Centro-Sul e o Nordeste.
O projeto da Nova Hidrovia do São Francisco prevê a retomada da navegação comercial em 1.371 quilômetros navegáveis, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE). Na primeira fase, a expectativa é movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas por ano.
O corredor é formado pelo Rio São Francisco e por afluentes como os rios Grande e Corrente e atravessa uma região estratégica para a produção agrícola e industrial. A proposta é conectar áreas produtoras do Cerrado a mercados consumidores e estruturas portuárias do Nordeste.
Na primeira etapa, o projeto contempla o trecho entre Juazeiro/Petrolina, Sobradinho e Ibotirama, na Bahia. A partir de Ibotirama, as cargas poderão seguir por rodovia até o Porto de Aratu-Candeias, na Baía de Todos os Santos.
As etapas seguintes preveem a ampliação do corredor em direção a Bom Jesus da Lapa e, posteriormente, a Pirapora, em Minas Gerais.
Integração com portos e ferrovias
A retomada da navegação deverá ampliar a integração dos portos baianos com outros modais de transporte. A hidrovia poderá ser utilizada para o escoamento de grãos, como milho, soja e algodão, além de minério, gipsita e outros produtos.
A expectativa do governo federal é reduzir custos logísticos e ampliar a participação do transporte aquaviário na matriz de cargas. O corredor também deverá permitir a conexão da produção do interior com estruturas ferroviárias e portuárias, incluindo o sistema associado ao Porto de Aratu e à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Além da movimentação de cargas, o projeto prevê investimentos em infraestrutura de apoio à navegação. O governo anunciou a previsão de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
A retomada da operação ocorre após medidas para reestruturar o corredor. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a Codeba a realizar estudos técnicos para a reativação da hidrovia, incluindo análises operacionais, logísticas e regulatórias e a avaliação de alternativas para exploração da infraestrutura.
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