Tocantins Export
Com hidrovia, Governo do Estado conta com três modais de transporte de cargas
Com malha ferroviária e projeto para sistema rodoviário, Tocantins vê aumentar desenvolvimento econômico
Um dos painéis técnicos do Tocantins Export – Fórum Estadual de Logística, Infraestrutura e Transportes discutiu os desafios da multimodalidade para transporte de cargas da região Centro-Norte. Especificamente, o estado do Tocantins vive a realidade de poder contar com três modais que vão aumentar a competitividade econômica, com destaque e grande expectativa para a hidrovia Tocantins-Araguaia.
O estado possui uma matriz de transportes predominantemente rodoviário, fazendo conexões com estados e regiões vizinhas. Em relação às ferrovias, o Tocantins está no centro do Brasil e é cortado pela ferrovia Norte-Sul, uma das principais malhas do país que liga os dois extremos do país.
A gerente jurídica da Companhia Docas do Pará (CDP) e presidente do conselho do Tocantins Export, Fernanda Araújo, destacou o projeto de concessões de rodovias federais e estaduais. “A gente tem um modal predominantemente rodoviário. Diferente do resto do País, a gente, além de estar no meio do País, é cortado pela ferrovia Norte-Sul. Temos esse ganho, essa estruturação das rodovias, e temos o projeto da PPI integrando a concessão de rodovias federais com estaduais. Vai ser um super ganho para o estado”, comentou.
Segundo a advogada, o estado precisa criar um ambiente que vise otimizar a multimodalidade, citando exemplos do exterior. “Na Europa existe essa integração dos modais que permitem essa ampla convivência, a gente precisa criar enquanto Estado, União, para que se tenha essa intermodalidade”, comentou.
Um dos principais projetos e mais aguardados tanto a nível estadual, e principalmente do Governo Federal, é a concessão da hidrovia do Rio Tocantins-Araguaia. O projeto aguarda licenças do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o derrocamento do Pedral de Lourenço, que vai permitir a exploração do modal hidroviário para transporte de cargas.
Burocracia
As questões burocráticas também foram analisadas durante o painel. Segundo os participantes, a falta de documentação para mudança de modais inviabilizam a competitividade da multimodalidade na região.
“A gente ainda não consegue ter um documento único para essas cargas quando mudam de modais. Então, é um implemento que o país precisa pensar para fazer. Com todas possibilidades que já tem no Tocantins, em que nossas cargas vão aumentar, vão se consolidar mais, com toda atratividade e potencialidade que o estado tem, a gente possa diminuir essas amarras burocráticas que o país tem para que a gente possa fazer em uma intermodalidade, já que esses três modais são uma realidade, dois existentes e a hidrovia próxima de acontecer”, comentou Fernanda.
O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, afirmou que o Brasil ainda encontra grandes dificuldades em viabilizar sistemas de transporte e multimodalidade de forma competitiva.
“Nós temos grandes entraves que inviabilizam a competitividade e a efetividade da multimodalidade. A legislação portuária, como uma infraestrutura específica e com legislação específica e, portanto, ela não está abrangida na lei de transporte geral, precisa ser modernizada e isso precisa ser aplicado a todos os demais”, pontuou.
O painel contou com a participação de Moacir Araújo, gerente de Operações e Manutenção de Terminais da VLI. A moderação foi conduzida pelo jornalista Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News. O Tocantins Export foi promovido pelo Grupo Brasil Export entre os últimos dias 15 e 16 em Palmas (TO).