Petróleo e Gás
Com tensão no Irã, governo deve adiar fim da subvenção à gasolina
O preço do petróleo caminhava para níveis próximos de antes da guerra, mas voltou a subir com a nova escalada do conflito no Oriente Médio
Com a volta das ofensivas entre Estados Unidos e Irã, o governo Lula deve esperar mais um pouco para reavaliar o fim do subsídio da gasolina previsto para esta semana ou para retirar totalmente o subsídio do diesel, segundo pessoas próximas ao tema. Ao contrário, se a commodity voltar a patamares mais elevados, como ocorreu em abril, a subvenção ao diesel pode ser ajustada novamente.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a subvenção dada pelo governo para conter a alta da gasolina, de R$ 0,44 por litro, seria revertida nesta semana. O preço do petróleo caminhava para níveis de antes da guerra, próximo a US$ 60 o barril, mas voltou a subir com a nova escalada do conflito no Oriente Médio para perto dos US$ 80 o barril.
O governo reduziu a subvenção ao diesel e ainda não havia alterado o subsídio à gasolina. A Petrobras – uma das poucas empresas que participam do programa de subvenção – já recebeu R$ 4,7 bilhões para vender diesel no mercado interno sem a volatilidade de preços do mercado internacional. Por enquanto, de concreto, o governo retirou R$ 0,35 da subvenção do diesel, mas ainda manteve subsídio de R$ 1,12.
A expectativa era de que a Petrobras reduzisse o preço da gasolina após a retirada de subvenção do combustível, como fez com o diesel, decisão que também deverá aguardar o rumo que será tomado pela guerra no Oriente Médio, segundo fontes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que seu governo talvez tome “algumas medidas” contra o Irã que possam fazer o preço do petróleo subir.
“Preços do petróleo podem subir um pouquinho, está tudo bem”, disse o republicano em entrevista à imprensa junto do presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, em Ancara. “Sempre que atingimos o Irã, o preço do petróleo sobe”. Mais cedo, o republicano prometeu novos ataques contra Teerã ainda na noite desta quarta.
Questionado sobre o envio de tropas terrestres no Irã, o republicano descartou a ideia, acrescentando que ninguém consegue obter urânio iraniano, exceto os EUA. Também presente na entrevista, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que “talvez o petróleo dos EUA devesse ser negociado com um ágio”.
O Irã disse que fechará o Estreito de Ormuz e atacará “duas vezes mais” alvos inimigos, caso seja atacado pelos Estados Unidos, segundo relatos da mídia iraniana. Uma fonte disse à PressTV que o Irã não voltará atrás nas suas exigências para gerenciar o Estreito de Ormuz e que “fechará completamente” a rota marítima se sofrer qualquer novo ataque.
Crédito
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 8, em votação simbólica, a Medida Provisória (MP) 1344/26, que abre R$ 10 bilhões em crédito extraordinário no Orçamento de 2026 para subsidiar parte do preço do diesel, impactado pela guerra no Oriente Médio. O texto agora será analisado pelo Senado.
Na explicação de motivos, o governo afirma que os recursos do superávit financeiro de 2025 serão usados para pagar a subvenção até 31 de dezembro de 2026. O montante será destinado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que faz o pagamento do subsídio.