Norte Export
Combustível sustentável para aviação abre novas oportunidades no Norte
Especialistas do Norte Export destacam SAF como vetor de desenvolvimento econômico e incentivo à produção regional
A Lei do Combustível do Futuro, sancionada pelo governo federal em outubro do ano passado, estabelece que as companhias aéreas devem começar a operar com SAF (Sustainable Aviation Fuel) a partir de 2027. As metas incluem uma redução gradual das emissões de gases de efeito estufa, começando com 1% até 2027 e alcançando 10% até 2037, com o objetivo principal de descarbonizar as operações.
Mas, além de tornar o transporte aéreo mais sustentável, a necessidade de ter plantas de produção do novo combustível próximas aos aeroportos pode trazer “janelas de oportunidades” e “grande desenvolvimento econômico” para todo o entorno. A visão otimista foi compartilhada pelos participantes do painel “O desafio de conciliar crescimento e sustentabilidade na modernização de portos e aeroportos”, apresentado no Fórum Norte Export, em Belém (PA), no último dia 25.
“O SAF traz oportunidades muito boas para o desenvolvimento econômico do país, especialmente para as regiões que vão abrigar as plantas produtoras do combustível. Até porque não faz sentido pegar o SAF produzido em Guarulhos para colocar em caminhões e trazer até Belém. Então é mandatório você ter as contratações do SAF próximas à sua matriz de consumo”, avaliou Arthur Thiago Costa, Diretor Administrativo, Financeiro e Comercial da NOA Airports, concessionária do aeroporto de Belém.
Thairyne Oliveira, secretária-executiva adjunta do Ministério dos Portos e Aeroportos, explicou que a pasta trabalha em diversas frentes para regulamentar o SAF, entre elas, a viabilização da certificação de qualidade do produto, pesquisa e desenvolvimento e políticas de incentivo e financiamento.
Em agosto do ano passado, o governo lançou um edital para financiar investimentos em plantas de SAF. Foram disponibilizados R$ 6 bilhões em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), divididos em R$ 3 bi para cada. O intuito foi selecionar planos de negócios voltados à implantação de biorrefinarias no país.
“Nessa linha de crédito tem algumas contrapartidas previstas que englobam as políticas de ESG, como mais mulheres na liderança das companhias aéreas, por exemplo. É o que a gente (governo) pode fazer. É incentivar que o setor, ao pegar um recurso mais barato do que no mercado subsidiado, se comprometa também com a sociedade”, pontuou Thairyne.
Além dos citados, participou do debate Filipe Sampaio Cunha, presidente do Instituto de Regulação, Inovação e Sustentabilidade (IRIS).