Sustentabilidade
Compagas amplia infraestrutura para transporte pesado com novos pontos
Parceria com a Cia Verde prevê estrutura em Araucária e integra estratégia de expansão dos corredores sustentáveis no Paraná
A Compagas ampliará a infraestrutura de abastecimento voltada ao transporte rodoviário de cargas no Paraná. A companhia firmou uma parceria com a Cia Verde para instalar um ponto de abastecimento na sede da transportadora, em Araucária (PR), com estrutura para veículos movidos a gás natural e biometano.
A iniciativa faz parte da estratégia da Compagas de ampliar a oferta de infraestrutura para o transporte pesado e estimular a utilização de combustíveis alternativos ao diesel. A empresa pretende desenvolver corredores capazes de conectar as principais rotas rodoviárias do Paraná ao Porto de Paranaguá e a outros estados das regiões Sul e Sudeste.
A Cia Verde já conta com 36 caminhões movidos a gás e poderá incorporar até 100 novos veículos desse tipo à frota, conforme a evolução da operação. A instalação do ponto de abastecimento próprio deverá permitir que a expansão ocorra de forma gradual e alinhada às necessidades da transportadora.
Segundo o CEO da Compagas, Eudis Furtado, a ampliação da infraestrutura é necessária para que o mercado de combustíveis alternativos ganhe escala no transporte de cargas. “Nosso objetivo como empresa de infraestrutura não é só levar infraestrutura, é fazer conexão. É conectar as pessoas e tirar as barreiras da frente para desenvolver o mercado e levar a descarbonização onde a gente mais precisa”, afirma.
Corredores sustentáveis
A expansão da rede está inserida no projeto Corredores Sustentáveis, criado pela Compagas para estimular a substituição gradual do diesel por gás natural e biometano nas frotas pesadas.
A primeira rota do projeto entrou em operação em 2024, ligando Londrina a Paranaguá e conectando as regiões Norte e Leste do Paraná. A estrutura também permite integração com São Paulo e Santa Catarina, além de atender fluxos de cargas provenientes do Mato Grosso do Sul.
Atualmente, a Compagas atende 35 postos com gás natural canalizado. Desses, 13 estão em operação e preparados para receber veículos de transporte pesado.
O acordo com a Cia Verde é o terceiro firmado pela companhia em 2026 dentro da estratégia de expansão da infraestrutura para combustíveis alternativos.
Para a sócia da Cia Verde, Manoela Prado Rudek, a utilização de gás natural e biometano pode contribuir para combinar eficiência operacional, competitividade e redução de impactos ambientais. “A utilização do gás natural e, principalmente, do biometano também está conectada ao nosso objetivo de avançar na transição energética da frota, conciliando eficiência operacional, competitividade e responsabilidade ambiental”, afirma.
Além do gás natural, a Compagas aposta no crescimento do biometano no transporte pesado. Produzido a partir do tratamento do biogás, o combustível pode ser utilizado em veículos preparados para operar com gás natural.
A alternativa ganha espaço diante dos desafios ainda enfrentados pela eletrificação de caminhões, especialmente em relação à autonomia e à disponibilidade de infraestrutura de recarga para longas distâncias.
O biometano também permite o aproveitamento energético de resíduos, aproximando a transição dos combustíveis fósseis de uma lógica de economia circular.
Segundo o Panorama do Biogás 2024, do CIBiogás, o Brasil tinha 79 plantas de biometano cadastradas em 2024, sendo 54 em operação e 25 em implantação. A capacidade total chegava a 2,7 milhões de metros cúbicos por dia.
A Cia Verde ainda não definiu uma estimativa de economia por caminhão com a utilização do gás natural. O resultado depende de fatores como rotas, quilometragem, consumo dos veículos e preços dos combustíveis.
Por isso, a empresa acompanhará indicadores de desempenho para avaliar os efeitos da mudança da matriz energética, considerando custos, eficiência operacional, desempenho dos veículos e redução de emissões.
Para Rudek, a transição energética deverá considerar as características de cada operação. “Nossa experiência mostra que sustentabilidade e eficiência operacional podem caminhar juntas. Investir em novas tecnologias, combustíveis alternativos e parcerias estratégicas é uma forma de preparar o setor para o futuro”, afirma.