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Complexo do Pecém lança pedra fundamental de usina termelétrica a gás natural
Projeto Jandaia é primeira construção do tipo no complexo portuário do Ceará
O Complexo do Pecém lançou na última semana a pedra fundamental do Projeto Jandaia, empreendimento que marca o início da construção de uma nova usina termelétrica movida a gás natural.
A cerimônia, realizada no auditório do complexo portuário, reuniu o governador Elmano de Freitas, representantes das empresas Eneva e Diamante, responsáveis pelo projeto, dirigentes do Complexo do Pecém e autoridades estaduais e municipais.
Selecionado no leilão de capacidade promovido pelo Governo Federal em março deste ano, o empreendimento prevê aporte estimado em R$ 5,5 bilhões e integra uma agenda voltada ao fortalecimento da segurança no fornecimento de energia e à criação de condições para atração de novos investimentos industriais.
As obras devem começar ainda neste primeiro semestre, com expectativa de movimentar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos ao longo da implantação.
Durante o evento, o governador Elmano de Freitas afirmou que o conjunto de projetos em andamento aponta para uma transformação estrutural da região.
“Tenho convicção de que estamos fazendo aqui, nesta região, um novo Porto do Pecém. Com o nível de investimento que estamos trazendo, público e privado, é a construção de um novo porto para o País”, disse.
Ao contextualizar o projeto dentro da estratégia logística estadual, o governador destacou iniciativas complementares que devem ampliar a integração regional, como a Ferrovia Transnordestina, o Terminal de Granéis Líquidos e Tancagem, o Terminal de Gás do Nordeste e a própria expansão energética vinculada ao novo empreendimento.
“Aqui, teremos um dos escoadouros do agronegócio no País. Vamos ligar o Centro-Oeste à Transnordestina, que se ligará ao Porto do Pecém, ao de Suape, ao da Bahia… Vamos pensar a logística do País. Tenho absoluta convicção de que estamos construindo degraus muito sólidos de uma nova economia do Ceará, que tenha a energia como um de seus fatores determinantes”, afirmou.
Além da implantação da usina, o Projeto Jandaia prevê a construção de uma nova estrutura portuária dentro do Complexo do Pecém: o chamado Píer Zero.
Com investimento estimado em R$ 430 milhões, o terminal será responsável por receber o gás natural que abastecerá a usina e outras futuras operações industriais. A estrutura permitirá a atracação de uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU), tecnologia que converte gás natural liquefeito em gás para distribuição e consumo.
A expectativa é que a nova infraestrutura amplie a disponibilidade energética para diferentes cadeias produtivas instaladas ou em implantação no Estado.
O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, destacou o avanço dos projetos estruturantes que vêm sendo executados na região.
“Quando cheguei aqui há um ano e meio, vi o quanto o desafio era grande, como o Complexo era importante para a economia do nosso estado. Hoje, podemos ver o quanto as coisas avançaram, o quanto a gente tirou do papel coisas que eram projeto e agora estão acontecendo”, afirmou.
Na avaliação da Eneva, o projeto também responde a uma necessidade estratégica do sistema elétrico nacional: garantir estabilidade ao fornecimento em um cenário de expansão das fontes renováveis.
Diretor executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios da empresa, Marcelo Lopes ressaltou o papel complementar da geração termelétrica.
“O Brasil é um país extremamente rico em fontes de energia. A gente tem bastante hidrelétrica, fontes renováveis como solar, eólica, mas a termoelétrica tem um papel fundamental que é a segurança. Quando o vento não venta, quando o sol não brilha, quando a chuva não cai, você precisa de fontes despacháveis”, explicou.
Segundo o executivo, o complexo que será implantado no Ceará foi concebido justamente para oferecer suporte ao sistema energético nacional. “O projeto que a gente vai implementar aqui no Ceará tem esse condão, tem essa natureza”, completou.
Quando entrar em operação, a nova usina terá capacidade para movimentar cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O cronograma prevê entrada em funcionamento do terminal portuário em 2028, enquanto a conclusão das obras e os testes operacionais da térmica estão programados para o primeiro semestre de 2029.
Além do abastecimento do próprio empreendimento, a nova infraestrutura deverá permitir o fornecimento de gás para outras plantas industriais, incluindo a UTE Termoceará, da Petrobras, e futuros projetos instalados na região.
A expectativa do governo estadual e dos investidores é transformar o Complexo do Pecém em um dos principais polos de distribuição de gás natural do Nordeste e em uma plataforma para expansão da nova economia industrial cearense.