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Conferência debate soluções para cidades mais resilientes após impactos climáticos

Atualizado em: 27 de February de 2026 às 18:50
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Evento do Ministério das Cidades, em Brasília, coloca mitigação das mudanças climáticas no centro da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano

Brasília foi o ponto de encontro de gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade civil durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, promovida pelo Ministério das Cidades nesta semana. O alerta que norteou os debates é contundente: oito em cada dez municípios brasileiros registraram impactos relacionados ao clima nos últimos dez anos.

Segundo dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil, 4.708 municípios, o equivalente a 84% do total do país, foram atingidos por eventos como enchentes, deslizamentos, secas prolongadas e ondas de calor. Fenômenos que deixaram de ser exceção no calendário e passaram a figurar como rotina em muitas regiões.

Ao longo do encontro, que reuniu mais de 2 mil participantes na plenária final, o tema central foi a mitigação das mudanças climáticas dentro de uma visão integrada de desenvolvimento urbano. As discussões destacaram que os eventos extremos agravam desigualdades sociais e comprometem o crescimento econômico, atingindo com maior intensidade populações periféricas, comunidades tradicionais e áreas marcadas por ocupações precárias.

A coordenadora do Conselho das Cidades (ConCidades), Raquel Ludermir, defendeu a atualização das diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano com foco na prevenção e na adaptação. “A proposta é que planos municipais e regionais de enfrentamento às mudanças climáticas sejam elaborados com participação comunitária e articulação interfederativa, envolvendo União, estados e municípios”, disse.

Mobilidade urbana também ganhou protagonismo nos debates. O secretário nacional de Mobilidade Urbana, Denis Andia, ressaltou que pensar o deslocamento nas cidades “é essencial para reduzir emissões, melhorar a qualidade de vida e promover inclusão social”. Ele destacou, ainda, iniciativas do Ministério das Cidades, como investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento voltados à mobilidade e ações estruturadas no âmbito do Plano Nacional de Mobilidade, desenvolvido em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para fortalecer o transporte urbano.

Os projetos e propostas apresentados durante a conferência serão incorporados à política e ao Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano em nove eixos estratégicos: habitação; regularização fundiária e periferias; saneamento; mobilidade urbana; cooperação interfederativa; sustentabilidade e clima; transformações digitais e segurança; justiça climática; e infraestrutura verde.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Carlos Tomé, ressaltou o compromisso do Ministério das Cidades com o diálogo e a construção coletiva das políticas públicas. “Não se faz política pública sozinho, nem apenas de dentro do gabinete. Este é um ministério que tem como característica ouvir os municípios, ouvir os estados e todos os entes subnacionais, porque estamos todos do mesmo lado”, afirmou. “Nosso corpo técnico e todos os profissionais que participam desse processo trabalham com dedicação para construir políticas públicas de qualidade, sempre com o objetivo de representar e atender quem mais precisa”, concluiu.

Propostas

Para a política de habitação, foram 36 propostas adicionadas ao PNDU. Já em Regularização Fundiária e Urbanização Integrada, foram 22 aditivas, sendo sete suprimidas e uma nova proposta incluída, de financiamento permanente da política de habitação de interesse social.

A política de saneamento ganhou 41 aditivas, com 10 suprimidas e uma nova proposta, que sugere a revogação da lei n° 14.026/2020 e a retomada do debate público sobre o saneamento, garantindo o controle social e viabilizando a reestruturação dos serviços. Em mobilidade, surgiram 27 propostas aditivas com apenas uma suprimida.

No eixo de gestão estratégica e financiamento, foram incluídas 65 emendas nos temas: gestão interfederativa, cooperação e consórcios, gestão das regiões metropolitanas, controle social e gestão democrática das cidades, Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano (SNDU) e financiamento da PNDU com mecanismos fiscais locais.

Sobre os grandes temas transversais, 61 emendas foram incluídas, sendo 31 sobre sustentabilidade ambiental e emergências climáticas; 23 para transformação digital e território; e 7 de segurança pública e o enfrentamento do controle armado dos territórios populares.

“Foi mais um passo rumo aos nossos objetivos, de cidades melhores pelo Brasil. É um espaço democrático, escutando delegados e delegadas e promovendo um debate fundamental, composto por experiências oriundas de todas as regiões do país. Seguimos caminhando juntos em prol do desenvolvimento urbano“, disse o coordenador do Conselho das Cidades, Carlos Eduardo Gomes Souza.

A homologação do texto final da 6ª Conferência Nacional das Cidades, bem como a continuação das salas de segmentos para a escolha das entidades que participarão da nova gestão do Conselho das Cidades, será nesta sexta-feira (27), dia de encerramento do encontro. Após o evento, que reúne poder público e sociedade civil em prol da democracia participativa, o resultado servirá para formulação e atualização da PNDU em busca de cidades mais inclusivas, sustentáveis, justas e resilientes.

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