Internacional
Conflito eleva risco sobre o Estreito de Hormuz e custo do petróleo
Canal estratégico concentra cerca de 20% do petróleo mundial e tem navegação considerada vulnerável
Os Estados Unidos surpreenderam o mundo ao entrar na guerra entre Israel e o Irã com um ataque a três instalações nucleares iranianas, na madrugada de domingo.. Enquanto a esmagadora maioria dos países pediu o desaceleramento da tensão, o preço do petróleo, que encareceu 20% desde o início do mês de junho, pode chegar a 100 dólares o barril nesta segunda-feira. O Parlamento iraniano aprovou o fechamento do Estreito de Hormuz, e a decisão está sob análise do Conselho de Segurança, convocado às pressas.
Esse canal estratégico, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, é fundamental para o transporte do petróleo global. A ameaça de um bloqueio por parte do Irã reacende preocupações sobre a segurança do fornecimento energético, principalmente para os países asiáticos, e já provoca movimentações entre grandes exportadores da região.
Diante do temor de uma possível interrupção na passagem, na segunda metade de junho países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque intensificaram seus embarques de petróleo em até 16%. O motivo é claro: se o Estreito de Hormuz for fechado, os preços do petróleo, especialmente do Brent, podem disparar ainda mais, afetando o mercado mundial.
Esse estreito é uma rota essencial por onde passam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo — quase um quinto do consumo global — e uma parcela significativa do comércio marítimo de óleo bruto. Além disso, é por ali que circula uma boa parte do comércio mundial de gás natural liquefeito, com destaque para as exportações do Catar.

Ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares iranianas provocou decisão de fechar o Estreito de Homuz, o que pode levar o mercado a cotar o barril do petróleo a 100 dólares. Foto: Reprodução
Embora existam dutos alternativos, como o East-West Pipeline na Arábia Saudita e outros que conectam os Emirados e o Irã a portos fora do estreito, eles não conseguem absorver todo o volume. Mesmo considerando essas opções, estima-se que mais de 15 milhões de barris continuariam dependentes exclusivamente do estreito para chegar ao mercado.
Essa vulnerabilidade já tem impactos visíveis. A simples ameaça de bloqueio fez o custo dos seguros para navios na região subir cerca de 60%, elevando o custo do transporte marítimo e afetando diretamente as cadeias de abastecimento, sobretudo na Ásia. Caso esse cenário perdure, a oferta de embarcações disponíveis pode cair, aumentando atrasos e custos.
Na última quinta-feira (20), os preços do petróleo Brent chegaram a subir quase 3%, alcançando US$ 79, diante do temor, que depois foi descartado, de que os EUA entrassem no conflito. Mesmo sem uma escalada militar americana, o mercado permanece sensível a essa rota, e qualquer interrupção no Estreito pode levar a novos aumentos.