Nordeste Export
Conselheiro destaca colaboração entre setores para impulsionar inovação no Piauí
Higo Matos ressalta a importância da colaboração entre academia, governo, mercado e sociedade para impulsionar a inovação no Piauí
O conselheiro da governança do Ecossistema Local de Inovação de Teresina, Higo Matos, defendeu a importância de uma atuação colaborativa entre os setores público e privado, academia e sociedade civil na construção de soluções inovadoras, com base na realidade local, durante o Inova Export, que integra o Fórum Nordeste Export, realizado nesta quinta-feira (31), em Teresina.
Para Matos, os setores que envolvem tecnologia só são fortes quando são plurais. “Um ecossistema forte é múltiplo, diverso e complementar. É dessa multiplicidade que surgem os melhores resultados”, afirmou. Ele destacou que o Piauí, frequentemente visto como um estado fora do eixo tradicional da inovação, tem grande potencial “exatamente por poder criar soluções a partir do que já existe, respeitando sua própria infraestrutura e cultura”.
Um exemplo citado por ele foi o trem Alfa Pendular, de Portugal, como analogia ao desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade local. “Enquanto países como o Japão desenham tudo do zero, com trilhos especiais para suportar alta velocidade, Portugal adaptou os trens à malha já existente, criando uma solução tecnológica própria e eficaz”, explicou. Para ele, o mesmo deve ser feito no Brasil e no Piauí: utilizar o que já está implantado como base para inovação com identidade regional.
Programa Nacional
Matos destacou que o Ecossistema Local de Inovação de Teresina é fruto de um programa nacional estruturado pelo Sebrae e que, desde 2022, mapeia atores locais, identifica potencialidades e promove planos estratégicos. O modelo de governança adotado é fluido, com um conselho formado por representantes das quatro vetores: academia, mercado, governo e sociedade civil, apoiados por coordenadores e articuladores em cada setor.
“A inovação mais relevante pode nascer aqui, a partir dos nossos próprios desafios. Não se trata de copiar modelos prontos, mas de adaptar ideias ao nosso contexto, aproveitando o que já temos de estrutura, talento e conhecimento”, pontuou o conselheiro.
Um dos principais objetivos do ecossistema é reter talentos locais. Segundo ele, Teresina já forma bons profissionais, mas, por falta de conexões com o mercado, muitos acabam migrando para outras regiões. O ecossistema busca reverter esse quadro, criando pontes entre os formados e as oportunidades locais, para que ideias ganhem corpo dentro do próprio território.
Inovação na prática
Durante a apresentação, Matos também compartilhou sua experiência como fundador da RevGas, startup que atua com logística de entrega de gás de cozinha. Em Teresina, a empresa enfrentou desafios com endereçamento em bairros com estrutura diferente do padrão usual. Para solucioná-los, contou com o apoio da academia, que desenvolveu uma rede neural específica para melhorar a logística de distribuição, exemplo prático da inovação aplicada à realidade local.
Além disso, o conselheiro destacou uma oportunidade aberta por meio do edital da FINEP e Banco do Nordeste, que destinará R$ 10 bilhões para projetos de inovação no país. Com valor mínimo de R$ 10 milhões por projeto, a chamada contempla propostas individuais ou em consórcio, inclusive com empresas internacionais, e representa uma grande chance de alavancar iniciativas conectadas aos desafios da região.