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Consumo de soja na China aumenta, mas importações atingem platô, dizem analistas

Atualizado em: 20 de May de 2024 às 6:28
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Brasil é o maior exportador do insumo para o país asiático, seguido dos Estados Unidos

O volume de soja consumido pela China aumentou, em média, 5,68% desde 2008, de acordo com dados compilados pela consultoria Biond Agro, mas o número está, em média, menor do que nos últimos anos. O Brasil é o maior exportador do insumo para o país asiático, respondendo por 64,5% das exportações.

O consumo chinês mais do que dobrou nos últimos anos. Na safra 2007/2008, o país asiático consumia cerca de 50 milhões de toneladas do grão; já para a safra 2023/2024, a previsão é que o consumo seja em torno de 121 milhões de toneladas.

O crescimento está diretamente relacionado ao aumento populacional, aumento do poder aquisitivo da população e à mudança na matriz de consumo, tanto para o humano quanto para o animal. No entanto, mesmo com esse avanço, a taxa de crescimento caiu de 5,68%, em média, entre 2004 e 2007, para 2,65% nos últimos cinco anos, indicando que o crescimento se aproxima do platô, segundo a consultoria.

“Isso significa que o incremento daqui para frente deve não ser tão disruptivo como anteriormente. É importante notar que a demanda continuará existindo devido à necessidade, no entanto, com um percentual de crescimento menor”, comenta o líder do time de inteligência da Biond Agro, Felipe Jordy.

Atrelado a isso, em 2024, a média dos estoques (janeiro a abril) de soja na China chegaram a 7,6 milhões de toneladas, valor recorde (exceto o movimento de segurança alimentar presenciado em 2021 em decorrência da Covid-19, quando o estoque chegou a 8,1 milhões de toneladas).

Maior exportação

Brasil e Estados Unidos são os maiores produtores de soja do mundo, com o Brasil ocupando a primeira posição e os EUA a segunda colocação. Somadas, as nações produzem 71%, equivalente a 268 milhões de toneladas da oferta mundial da commodity. Devido a um consumo interno menor do que a produção em ambos os países, Brasil e EUA também estão entre os maiores exportadores do mundo, abastecendo 88% ou 149 milhões de toneladas da necessidade de importação mundial.

A China é o maior consumidor e importador global de soja. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos são seus maiores fornecedores. Juntos, somam mais de 80% do volume consumido pela China. Apesar de os EUA ainda serem um grande fornecedor para a China, a guerra comercial entre esses países iniciada em 2018, o crescimento da produção brasileira e a competitividade do grão brasileiro – com menor preço – vêm determinando um aumento na participação do Brasil no suprimento chinês.

“Em um recorte temporal, em 2014, na soma das importações de ambos os países para a China, os EUA detinham uma participação de 49%, enquanto o Brasil possuía 51%. Em 2023, o Brasil fechou com 74% e os EUA com 26%. Olhando o acumulado de 2024, o Brasil já possui 64,2% e os EUA 35,8%, seguindo a tendência dos anos anteriores”, diz o analista.

Apesar do aumento na participação de exportação de soja para a China, um alerta começa a surgir. À medida que o Brasil continua a expandir sua área e sua produção; e o maior consumidor do mundo demonstra um crescimento mais controlado, a forte dependência das exportações pode se tornar um ponto fraco para o país sul-americano, explica Jordy.

Desde que os EUA começaram a perder participação no mercado de exportação, a soja passou a ser cada vez mais direcionada para o consumo interno, impulsionada principalmente pela mudança da sua matriz energética. A soja tornou-se a principal fonte de matéria-prima do biodiesel americano. Em 2014, cerca de 20% da soja americana era para o Biodiesel, agora esse número já ultrapassa 30%.

“No médio e longo prazo, imagino que o Brasil também seguirá um caminho semelhante, seja pelo apelo ESG ou pela diversificação dos negócios, caso contrário, o excesso de soja poderá resultar em um forte desequilíbrio entre oferta e demanda”, conclui.

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TAGS agronegocio China comércio exterior Estados Unidos EUA exportação safra soja
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