Centro-Oeste Export
Corredor Bioceânico deve transformar o Centro-Oeste em nova fronteira comercial
Corredor reduzirá custos logísticos e ligará o Centro-Oeste aos portos do Pacífico até 2026
João Carlos Parkinson, ministro da carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, apresentou os avanços do Corredor Rodoviário Bioceânico durante sua participação no Fórum Centro-Oeste Export, realizado nesta sexta-feira (27), em Rondonópolis (MT). Ele citou que o projeto é uma “peça-chave” para a integração regional e a reestruturação da logística entre o Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Um dos principais focos da apresentação foi o andamento das obras do último trecho da Rodovia Transchaco, no Paraguai, com 224 km de extensão. As obras, iniciadas no segundo semestre de 2023, estão orçadas em US$ 354 milhões, financiadas pelo Fonplata, e têm previsão de entrega para agosto de 2026. O trecho foi dividido em quatro lotes para acelerar a execução: o primeiro tem 5,98% das obras concluídas; o segundo, 8,46%; o terceiro, 16,6%; e o quarto, 10%.
Esse segmento rodoviário será complementado pela Ponte Carmelo Peralta–Porto Murtinho, que ultrapassa 70% de execução. A estrutura conectará diretamente o Mato Grosso do Sul ao Paraguai, sendo um elo essencial da Rota Bioceânica. Paralelamente, está em curso a implantação de uma área de controle aduaneiro integrado em Porto Murtinho, com base em um estudo do Procomex, para garantir agilidade, segurança e redução de custos na movimentação de cargas.
Parkinson destacou que o corredor é altamente competitivo não apenas para exportações, mas também para importações, principalmente a partir do norte do Chile. Cidades como Iquique podem se tornar plataformas para industrialização do Centro-Oeste. Estudos apontam a criação de centros logísticos em Marechal Estigarribia e investimentos em portos secos e armazéns em Guemes (Argentina) e Calama (Chile), o que deve impulsionar o comércio exterior da região.
A China, como principal fornecedora de eletrônicos, insumos químicos e maquinário, poderá ter seus produtos importados com menor custo via o corredor, viabilizando montagem e comercialização diretamente no Centro-Oeste brasileiro. Setores como o industrial, agroalimentar e até o lácteo poderão se beneficiar, segundo João.
Uma possível cooperação com o Chaco paraguaio pode ser estratégica para o desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que ajuda a suprir o déficit de produtos lácteos em Mato Grosso. Além disso, o Paraguai tem potencial para se consolidar como um importante fornecedor de milho, impulsionando a indústria avícola e a produção de etanol em Mato Grosso do Sul. Para o ministro, a infraestrutura moderna será o elemento central para viabilizar essa integração produtiva entre os países.
