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Região Norte

Capacitação abre caminho para mulheres na construção naval

13 de March de 2026 às 14:42
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Programa do Estaleiro Juruá, no Amazonas, já formou 287 profissionais em soldagem e amplia oportunidades no setor hidroviário

Nos estaleiros amazônicos são construídas balsas e embarcações responsáveis por transportar pessoas, combustíveis, alimentos e mercadorias pelos rios, principais vias de deslocamento na região. Tradicionalmente dominada por homens, a atividade começa a registrar maior participação feminina impulsionada por iniciativas de qualificação profissional.

Criado pelo Estaleiro Juruá, em Iranduba (AM), na região metropolitana de Manaus, o programa de capacitação em soldagem tem ampliado a presença feminina na construção naval na Amazônia. Desde 2024, a iniciativa já formou 287 mulheres e abriu novas oportunidades de trabalho em um setor estratégico para o transporte hidroviário na região.

O curso oferecido pelo Estaleiro forma soldadoras nas técnicas MIG/MAG e eletrodo revestido. A capacitação tem 70 horas de duração, com aulas teóricas e práticas realizadas ao longo de cerca de 20 dias úteis, e certificação ao final da formação. Atualmente, outras 61 mulheres participam de novas turmas.

Além da formação profissional, o programa também tem impacto direto no mercado de trabalho. Atualmente, 210 participantes foram contratadas pelo estaleiro e hoje representam 27% do quadro de soldadores da empresa.

A iniciativa surgiu para enfrentar um desafio enfrentado por empresas do setor naval na região: a escassez de mão de obra qualificada. A primeira turma exclusiva para mulheres superou as expectativas e incentivou a criação de novas formações.

Transformação de trajetórias

Para muitas participantes, a capacitação representa uma oportunidade concreta de mudança de vida. É o caso da soldadora Jacira da Silva Pacheco, de 45 anos, que encontrou na formação uma nova perspectiva profissional.

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“Cheguei ao Estaleiro Juruá como auxiliar de cozinha, em um momento de necessidade. Quando surgiu a oportunidade do curso de solda, agarrei com toda a força. Fui da primeira turma e mostrei que podia ser tão capaz quanto qualquer pessoa”, conta.

Mãe de seis filhos, Jacira afirma que a nova profissão trouxe independência financeira e novas perspectivas para a família. “Hoje, sou independente, construí minha casa e conquistei meus bens graças a essa oportunidade. Ver uma embarcação pronta, sabendo que meu trabalho está ali, unindo cada peça de aço, é uma emoção indescritível”, diz.

A experiência também inspirou outros membros da família. Uma das filhas seguiu o mesmo caminho e hoje também atua como soldadora no estaleiro. “Se você, mulher, sonha em entrar para o estaleiro e tem algum receio, eu digo, acredite em você e tenha coragem. É um grande desafio, mas não é impossível”, completou Jacira.

Mulheres e o setor hidroviário 

.A presença feminina tem crescido gradualmente em diferentes áreas ligadas ao transporte aquaviário e à indústria naval no Brasil. Iniciativas de qualificação profissional têm ampliado o acesso de mulheres a atividades técnicas e industriais, contribuindo para reduzir desigualdades históricas no mercado de trabalho.

Na Amazônia, onde os rios funcionam como as principais vias de deslocamento de pessoas e mercadorias, a construção e manutenção de embarcações são fundamentais para garantir a mobilidade e o abastecimento das comunidades. Nesse contexto, programas de capacitação como o desenvolvido pelo Estaleiro Juruá contribuem não apenas para ampliar oportunidades de trabalho, mas também para fortalecer a cadeia produtiva do transporte hidroviário e impulsionar o desenvolvimento regional.

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