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Jornal BE News - Edição de Hoje

Santos Export

Dependência do modal rodoviário agrava gargalos no Porto de Santos

Atualizado em: 28 de May de 2026 às 13:27
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Durante o Fórum Santos Export, representantes do setor privado avaliam que acesso é principal problema a ser solucionado pelo Complexo Portuário Santista

A multimodalidade é apontada como principal caminho para solucionar os gargalos de acesso ao Porto de Santos (SP), segundo especialistas do setor privado que atuam no complexo portuário. A avaliação foi apresentada durante o Santos Export, fórum regional de logística, transportes, energia e mineração promovido pelo Grupo Brasil Export, realizado nesta quinta-feira (28) e sexta-feira (29), no Guarujá, no litoral paulista.

Para o CEO da Granel Química/Odfjell Terminals, Edson Souki, a melhoria da infraestrutura portuária passa por uma mudança estrutural na matriz de transporte, com maior participação do modal ferroviário. “A solução para a infraestrutura do Porto de Santos envolve a migração do transporte rodoviário para o ferroviário”, afirmou.

Atualmente, cerca de 58% da movimentação do maior porto da América Latina ocorre por rodovias. O fluxo é especialmente intenso no transporte de contêineres e no acesso pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), que, em horários de pico, registra a circulação de mais de 600 caminhões por hora. O Porto de Santos responde por aproximadamente 26% do comércio exterior brasileiro e por 60% das operações internacionais do Estado de São Paulo.

Durante o painel, o CEO da Ultracargo, Fulvius Tomelin, destacou que a eficiência do porto depende da integração entre os diferentes modais e da capacidade de atracação. “Sem capacidade de atracação, nada funciona. Isso representa riqueza que deixamos de gerar. É fundamental promover uma interligação logística eficiente”, afirmou. Segundo ele, ainda há subutilização da multimodalidade. “Cada modal tem sua vocação e deve ser utilizado da melhor forma possível”, completou.

O debate ocorreu no painel “Estratégias de logística e armazenagem para a eficiência do fluxo de cargas na Baixada Santista”, realizado no Casa Grande Hotel. Para o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), Ricardo Buteri, os acessos ao porto seguem como principal entrave. “Se tivermos que apontar um gargalo, todos falariam dos acessos. Precisamos avançar na integração multimodal”, disse. Ele ressaltou que, dos 2,7 milhões de TEUs movimentados anualmente pelos associados da entidade, menos de 5% utilizam ferrovias, apesar dos investimentos realizados pelo setor.

Souki também destacou que, no segmento de granéis líquidos, não há limitações de armazenagem. Segundo ele, a capacidade atual de tancagem na região, estimada em 800 mil metros cúbicos, pode ser ampliada conforme a demanda. “O problema não é a tancagem, é o acesso. Estamos no caminho certo, mas é preciso pensar em soluções de longo prazo, projetando a infraestrutura para os próximos 50 anos”, afirmou.

Homenagem 

Ao final do painel, o CEO da Ultracargo, Fulvius Tomelin, foi homenageado pelos 60 anos da empresa. “É um orgulho representar um time que faz isso acontecer todos os dias”, declarou. A Ultracargo integra o Grupo Ultra, que também reúne a Hidrovias do Brasil.

 

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